Para abrir as Postagens é só clicar. nos Temas

sábado, outubro 19, 2013

O AMOR E A CRUZ

Poesia Cristã/Reflexão para a Vida
Prof. Mestre Expedito Darcy da Silva.
Pensando em Deus pensando em nós.
Amor! Seria possível mensurá-lo? Creio que não!
Poderíamos numa escala decrescente. Deus, Amor transcendente, indizível, mas na sua imanência contempla o abastado, o pobre e o desgraçado, o amor incondicional de Deus, que ama, por que na sua existência Ele é o Amor. O amor de Deus, não se explica, contempla-se.
É o Filho que brada na cruz, é o Pai que não ouve por que o amor do Pai processa-se na Sua morte, na morte do seu Amor, Cristo.
O Amor despiu-se da sua glória, viveu entre os piores malfeitores, mas o pior ato de desamor foi considerado entre os seus irmãos, um ato cruel foi ignorado, Ele foi deixado de lado sofreu o descaso do vitupério.
O Pai prova o seu amor no Filho, o Filho prova seu amor em você, em mim e em nós.
Não pedimos a morte de Cristo, nós nem sabíamos que Ele foi sentenciado à morte desde a fundação do mundo. Seu brado na cruz, ainda hoje ecoa em nossos ouvidos, mas o Pai o ignorou, foi preciso ver e sofrer a dor do seu Filho, eu ouvi, mas não posso revogar. Precisávamos que o Pai não o ouvisse, para que o Filho do seu sacrifício nos salvasse.
Naquela fria e rude cruz morreu um Homem experimentado na dor e no sofrimento. Enfrentou o que temos de pior dentro de nós: o desamor, o ódio, o rancor, mas o pior de tudo foi à amarga solidão dos seus. No balançar dos ombros de alguns Ele foi desprezado, sem amor e muito menos piedade.
Como muitos pensam. A cruz não foi somente símbolo de vexame e dor, mas de honra por uma das causas mais nobre, a sua, a minha a nossa salvação. Na Cruz morreu um por amor de muitos, valemos mais que o mundo inteiro, a cruz sabia disso e nada pode fazer, a não ser receber a honra da morte mais infame e desumana, sem nenhuma chance a sentença foi aplicada.
Cada um de nós merecia a sua cruz, mas Ele a assumiu por todos nós. Preferiu morrer sem nenhuma honra diante dos homens, no meio de homens marginalizados e também sentenciados assim como Ele foi.
Se fossemos artesãos faríamos uma cruz de ouro cravejada de diamantes e rubis, mas Ele não se achou digno de aceitá-la, era muita honra, muita glória, muito luxo, por que o amor verdadeiro se considera no esvaziar-se de todas as honras e de todas as glórias, que lhe são propostas. O amor não está baseado nos bens, mas na honra da humildade.
A verdadeira cruz do amor ofertou-se, pelo suplício, pela dor, pelo ódio dos que o mataram, na condição da mais baixa desumanidade, morte essa que foi abolida nos tribunais pela sua forma cruel e vergonhosa, ninguém se submeteria a ela com prazer em morrer como um ser considerado na mais baixa condição de um ser humano.
E a árvore? Sim e a árvore? Quem se preocupou com ela? Ninguém! A final, antes de tudo ela deu sua vida pela outra vida, ela precisava morrer, par mim e por você, para que todos nós tornássemos a nascer de novo.
Como tudo que Deus criou é belo, a árvore também era bela, linda, todos a admiravam, a sua copa abrigavam os homens do calor escaldante, os pássaros se aninhavam em seus ramos, constituíam suas famílias entre seus galhos, no alvorecer todos estavam postos sobres seus delicados galhos, e ofereciam a seu Criador os mais belos hinos, e a árvore juntamente com os pássaros, as borboletas e os insetos e todos os seus amiguinhos faziam parte daquela orquestra sinfônica.
Talvez aquela bela árvore não desse fruto, mas todos nós geramos frutos, uns maus, outros podres, outros secos, outros de justiça, outros estéreis.
Os frutos daquela árvore era a sua utilidade, quantas inutilidades sobre as árvores infrutíferas! O aquela árvore tinha de melhor ela sempre ofertava: frutos de amizade, do compartilhar, de estar juntos a todos que dela precisavam. Ela veio de Deus para todos e para nós, quanta utilidade minha querida árvore!
 Para os pássaros, para as borboletas azuis, para as formiguinhas que com muito carinho faziam suas cutículas, sua unhas eram as pequenas folhinhas cortadas pelos alicates das formiguinhas, quanta utilidade meu amor! Em fim Deus se alegrava com sua beleza, era para Deus sua árvore querida estimada, amada, à noite Deus aspirava ao soprar da brisa o seu doce perfume, entre os vaga-lumes que brilhavam suas luzes, que refletiam nas pequenas gotículas do orvalho que também se depositavam sobre si, que maravilha meu amor quanta utilidade minha querida!
A árvore não se ofereceu, nem sempre na vida temos as nossas melhores escolhas. Mas quando as escolhas provêm de Deus, assim como a árvore foi despida de toda sua honra e glória, resumindo-se apenas em um tronco inerte tombado no chão, a crueldade da serra, não teve piedade das famílias que dependiam dela. Meu Deus por que se permitiu que essa árvore tão linda, tão útil fosse resumida nesse desprezível tronco morto, inerte, quanta inutilidade desprezível tronco!
Das duas sentenças: Uma foi dita derruba-a! Derrubaram-na!
A segunda faça desse tronco quase inútil uma cruz como qualquer outra. Não a lustre, não a envernize, não lhe dê nenhum tratamento, simplesmente façam dela uma cruz. E fizeram dela a pior de todas as cruzes. Cruz de descaso, de vergonha, de infâmia, de solidão de dor, de morte.
Aquela que era admirada por Deus, pelos seres vivos do ecossistema, pelos homens, agora, ela simplesmente tornou-se um símbolo de vitupério. Ela não nos interessa mais, tornou-se aos nossos olhos o símbolo da inutilidade. Será?
Quando pensamos que somos inúteis, Deus reserva para nós um peso da sua glória, nos faz assentarmos entre os grandes e poderosos, nos dá um nome de honra: Mestre, filha, filho, serva, servo, amigo, amiga....
Às vezes somos despidos do que achamos que temos dado de melhor, mas não é bem assim que Deus nos vê. Nossos frutos tem que repercutir em harmonia de coração envolvido com a paz que excede a todo o entendimento.
A árvore foi arrancada do seu lugar, mas ao fincá-la numa cova fria, ela se posicionou como o instrumento que serviria para esmagar a cabeça da serpente. Que maravilha meu amor!
A morte da árvore, de um ser vivo que respirava e adorava o seu Criador, agora se tornou em um simples objeto frio sem vida. Deitaram-na sobre o chão, ela que sofrera a morte lentamente pelas serras e pelos machados, faltava-lhe provar os cravos, algo que penetraria nas profundezas do seu ser. Que sofrimento minha querida, quanta dor meu bem, quanta maldade meu amor!
Em fim chegou a hora! Deitaram a cruz no lugar mais baixo, o chão, dos que caem, dos que se rastejam, dos guerreiros feridos, dois vencidos, de todos os mortos! Fuja meu amor! Levanta lute não se entregue meu bem!
Naquela cruz fria, inerte foi deitado um grande Homem, suas costas estavam quentes pelas chibatadas dos carrascos, mas aquele calor delimitava-se em pecados, meus e seus. Uma multidão aglomerava-se ao derredor. Seus amigos viam-no de longe. Muitos são amigos de longe, nas horas que mais precisamos deles.
Na hora que Ele mais precisava de um abraço, davam-lhe açoites e cuspidas no rosto. A cruz era sua única amiga naquela dura hora.
Quantas vezes precisamos de um abraço, de um afago, e só recebemos chibatadas e cuspidas das línguas que sorvem e destilam venenos mortíferos! Há quantas inutilidades, quantas maldades daqueles que não nos abraçam e quer nos ver pelas costas, distantes de tudo e de todos.
Deitado sobre o madeiro seco estava o Cordeiro, e os cravos, essa era à hora da maior dor, o carrasco se posiciona com muito prazer de ver aquele grande Homem sofrer. Cada batida repercutia em um grande gemido. Que dor insuportável Filho querido, Papai te ama muito. Que obediência Filho meu!
Ao levantar a cruz, nela transpassado pelos cravos estava sobre Ele os nossos pecados. A multidão dos incultos gritava, o céu silenciou-se, e a natureza preparou-se para o pior momento. Pelo melhor momento a consumação de tudo.
A árvore se transformou em uma terrível cruz, e o Cordeiro transformou-se em o nosso Salvador.
As dores insuportáveis e o peso sobre a cruz era o fardo nosso de cada vida. Como nos acovardamos diante das coisas suportáveis, das coisas solucionáveis, das coisas que nos prendem, mas que podem nos matar. Quanta covardia meu amor!
Na sede Ele provou do amargo fel, do seu brado não foi atendido, mas da morte Ele triunfou.
Cristo nos disse: Está consumado – meus queridos, minhas queridas. Inclinou-se!
O céu se moveu, a natureza se prontificou, os covardes recuaram, os supostos amigos se aproximaram, os homens cruéis e frios de alma romperam-se em prantos e lamentos.
Deus estava entre nós e nós não o vimos, não o reconhecemos. Há se eu soubesse meu amor que Tu estavas entre nós eu tinha te amado mais, eu tinha te beijado mais, eu tinha te abraçado mais. Que inútil que eu fui meu amor, perdoa-me!
Quantas oportunidades nós perdemos de abraçar aqueles que nos amam, e muitas vezes choramos sobre seus corpos inertes. Vamos nos abraçar minha querida meu querido, pois a morte se aproxima a cada dia, a cada instante.
O Amor e a Cruz
Eles precisam caminhar juntos. Queremos o amor, mas não queremos nos submeter à cruz. O amor crucifica-se na autodoação, na entrega ao doador da vida, Deus. O amor não rejeita a cruz, submete-se ela.
O amor que se questiona, não é amor, o amor suporta a dor da cruz para cada dia. O amor recompensa-se no ato sublime frente ao Criador. Curva-se em dores, brada do alto da cruz, mas submete-se, entregar-se a dor, a morte, pelos seus, meus, pelos nossos pecados e ingratidões.
Somos partículas de dores, de desamores, porque rejeitamos as cruzes que nos foram propostas, para vivermos as nossas cruzes que idealizamos.
O Amor e a Cruz. Quem olha para os dois vê três. Quem olha para Deus vê um. Quem olha para Cristo vê o outro eu. E os três olham para nós e nos veem envoltos em tudo menos carregando a pequenina cruz, que nos foi ofertada.
Cristo nos disse: Tome a cada dia a sua cruz e siga-me. Quer seguir a Cristo? Vá as orações, aos congressos, aos cultos, as pregações, aos louvores, em todos os lugares possíveis para Deus, mas não se esqueça de levar em todos esses lugares a sua pequena cruz. Se não for assim! Que inutilidade meu bem!
O amor não se despe da cruz, assume-a.
Entre o Amor e a Cruz Cristo deve prevalecer
Por todos nós seu maior triunfo foi submeter
Por todos nós seu amor maior foi obedecer
Por todos se deixou sofrer
Por todos incondicionalmente realizou seu querer
Por todos nós seu destino foi morrer
Por todos pobres, ricos, bons e maus, deixou-se na sua morte seu eterno viver.
Sete palavras: Prevalecer, submeter, obedecer, sofrer, querer, morrer, viver.
Prevalecer: estar acima.
Submeter: estar à disposição.
Querer: a opção imposta.
Viver: alma que caminha.
Sofrer: Necessidade de quem ama.
Morrer: condição de viver. Eternidade com Cristo.







domingo, outubro 13, 2013

SANTIFICAÇÃO

Teologia Sistemática/Doutrina Bíblica.
A vida cristã precisa ser alimentada com santidade e vivência cotidiana santa aos pés do Senhor. Na oração sacerdotal Cristo fez menção à santificação ao dizer: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. (João 17: 17). A santificação é uma ação que se processa na vida do cristão, que tem seu princípio em Cristo o Verbo divino encarnado. No processo de santificação, devemos estar “olhando para Jesus, autor e consumador da fé,...”. Tudo que se faz para a santificação usando os meios coerentes como: jejuns, meditação nas Escrituras, orações e até algum tipo de voto, pode ser considerado, mas nada supera a Palavra de Deus para a nossa santificação. A Palavra de Deus deve ser prioridade em nossas vidas por que ela é. “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho”. (Salmo 119: 105).
 Louis Berkhof
A. OS TERMOS ESCRITURÍSTICOS PARA A SANTIFICAÇÃO E SANTIDADE
1. Os termos do Antigo Testamento: A palavra do AT para “santificar” é gadash, um verbo que é usado no niphal e hithpa el. O substantivo correspondente ao verbo gadash é godesh, enquanto o adjetivo é gadoh.
As formas verbis são derivadas das nominais e adjetivas. O significado original dessas palavras é incerto. Alguns têm a opinião que a palavra gadash é relacionada com chadash, que significa brilhar. Isto estaria em harmonia com o aspecto qualitativo da ideia bíblica de santidade, nominalmente, aquela de pureza. Outros, com um maior grau de probabilidade, derivam a palavra da raiz gad, que significa “cortar”. Isto faria da ideia de separação a ideia original. A palavra indicaria, então, distância, separação ou majestade. Embora este significado das palavras das palavras “santificação” e “santidade” possa parecer inusitado para nós, ele é com toda a probabilidade a ideia fundamental expressa por elas. Diz Girdlestone:
“Os termos “santificação” e “santidade” são atualmente usados tão frequentemente para representarem qualidades morais e espirituais ou relação existente entre Deus e alguma pessoa ou coisa consagrada a Ele; apesar disso este parece ser o sentido real da palavra”. Igualmente, Cremer-Koegel chama atenção para o fato de que a ideia de separação é fundamental para a de santidade. “Heiligkeit ist ein verhaeltnisberiff”. Ao mesmo tempo é admitido que as duas ideias de santidade e separação não se confundem, não se absorvem mutuamente, mas a primeira até certo ponto serve para qualificar a última.
2. Os termos do Novo Testamento: a) O verbo hagiazo e seus vários significados. O verbo hagiazo é derivado de hagios, que como o hebraico gadosch expressa primariamente a ideia de separação. Ele é usado em vários sentidos diferentes, entretanto, em o Novo Testamento nós podemos distinguir os seguintes:
1) Ele é usado em um sentido mental de pessoas ou coisas, (Mt. 6: 9; Lc. 11: 2; IPd. 3: 15). Em tais casos significa “olhar um objeto como santo”, “atribuir santidade a ele”, ou “reconhecer sua santidade por palavra ou feito”.
2) Ele é empregado ocasionalmente em sentido ritual, isto é, no sentido de “separação de propósito ordinários para sagrados”, ou de “colocar à parte para certo ofício”, (Mt. 23: 17, 19; Jo.10: 36; IITm 2: 21).
3) Outra vez ele é usado para expressar aquela operação de Deus pela qualidade subjetiva de santidade, (Jo. 17: 17; At. 20: 32; 26: 18; ICo. 1: 2; ITs. 5: 23).
4) Finalmente, na Epístola aos Hebreus ele parece ser usado em sentido expiatório, e também no sentido que tem relação com dikaioo paulino, (Hb. 9: 13; 10: 10, 29; 13: 12).
b) Os adjetivos que expressam a ideia de santidade.
1) Hieros. A palavra que é usada menos e que também é menos expressiva é a palavra hieros. Ela é achada somente em (ICo. 9: 13; IITm. 3: 15), e aí se refere não a pessoas, mas a coisas. Ela não expressa excelência moral, mas expressa o caráter inviolável da coisa preferida, que provém de relação pela qual ela está para com Deus. Ela é melhor traduzida pela palavra portuguesa “sagrado”.
2) Hosios. A palavra hosios é de ocorrência mais frequente. Ela é achada em (At. 2: 27; 13: 34, 35; ITm. 2: 8; Tt. 1: 8; Hb. 7: 26; Ap. 15: 4, 16: 5) e não é aplicado somente a coisas mas também a Deus e a Cristo. Ela descreve uma pessoa ou coisa como livre de mancha ou maldade, ou mais ativamente (de pessoas) como cumprindo toda obrigação moral.
3) Hagnos. Apalavra hagnos ocorre em (IICo. 7: 11; 11: 2; Fp. 4: 8; ITm. 5: 22; Tg. 3: 17; IPd. 3: 2; IJo. 3: 3). A ideia fundamental da palavra parece ser a de liberdade da impureza e mancha em sentido ético.
4) Hagios. A palavra realmente característica do NT, entretanto, é hagios.
Seu primeiro sentido é primário é o de separação em consagração e devoção ao serviço de Deus. Com isso é relacionada à ideia do que é posto de lado do mundo para Deus, deve também separar-se a si mesmo da impureza do mundo e tomar parte da pureza de Deus. Isto explica o fato porque hagios rapidamente adquiriu um significado ético. A palavra não tem sempre o mesmo sentido no Novo Testamento. a) Ela é designada para designar uma relação oficial externa, um ser posto de lado dos propósitos ordinários para o serviço de Deus, como por exemplo, quando lemos dos “santos profetas”, (Lc. 1: 70), “santos apóstolos”, (Ef. 3: 5) e “santos homens de Deus” (IIPd. 1: 21). b) Mais frequentemente, entretanto, é empregado em um sentido ético para descrever a qualidade que é necessária para estar em íntima relação com Deus e serví-lo aceitavelmente (Ef. 1: 4; 5: 27; Cl. 1: 22; IPd. 1: 5, 16). Deve ter tido em mente que em se tratando de santificação nós usamos a palavra primariamente no último sentido. Quando falamos de santidade em conexão com santificação, temos em mente tanto uma relação externa como uma qualidade subjetiva interior.
c) Os substantivos que denotam santificação e santidade.  A palavra do NT para santificação é hagiasmos. Ela ocorre dez vezes, a saber: em (Rm. 6: 19-22; ICo. 1: 30; ITs. 4: 3, 4, 7; IITs. 2: 13; ITm. 2: 15; Hb. 12: 14; IPd. 1: 2). Embora ela denote purificação ética, inclui a ideia de separação, nominalmente, “a separação do espírito de tudo que é impuro e poluído, e uma renuncia dos pecados para os quais os desejos da carne e da mente nos conduzem”. Embora hagiasmos denote a obra de santificação, há duas outras palavras que descrevem o resultado do processo, nominalmente, hagiotes e hagiosume.  A primeira é achada em (ICo. 1: 30 e Hb. 12: 10, e a última em Rm. 1: 4 e IICo. 7: 1 e Its. 3: 13). Estas passagens mostram que a qualidade de santidade ou libertação da poluição e impureza é essencial a Deus, foi exibida por Jesus Cristo, e é comunicada ao cristão.
B. A IDEIA BÍBLICA DE SANTIDADE E SANTIFICAÇÃO
1. No Antigo Testamento: Na Escritura a qualidade de santidade á aplicada em primeiro lugar a Deus, e nessa aplicação a Ele sua ideia fundamental é de inacessibilidade (ou inaproximabilidade). E essa inacessibilidade é baseada no fato de que Deus é Divino e, portanto absolutamente distinto da criatura. Santidade neste sentido não é meramente um atributo a ser coordenado com outros em Deus. Antes, é algo que é a aplicação de todas as coisas que são achadas em Deus. Ele é santo em Sua graça tanto quanto em Sua justiça, em seu amor tanto quanto na sua ira. Falando estritamente, santidade torna-se um atributo somente em sentido ético mais remoto da palavra. O sentido ético do termo desenvolve o sentido de majestade. Este desenvolvimento começa com a ideia de que um ser pecador é mais intensamente consciente da majestade de Deus que um ser sem pecado. O pecador torna-se ciente de sua impureza como contra a majestosa pureza de Deus, cf. Isaías 6.
Assim a ideia de santidade como pureza majestosa ou sublimidade é tica foi desenvolvida. Esta pureza é um princípio ativo em Deus, que deve defender a si mesmo e prover sua honra. Isto explica o fato de que a santidade é representada na Escritura também como a luz da glória divina transformando-se em fogo devorador (Is. 5: 24; 10: 17; 33: 14, 15). Diante da santidade de Deus o homem sente-se somente insignificante, mas positivamente impuro e pecador, e como tal um objeto da ira de Deus. Deus revelou Sua santidade no AT de diferentes maneiras. Ele fez em terríveis julgamentos sobre os inimigos de Israel, (Êx. 15: 11, 12). Ele também o fez em separando para Si um povo, que Ele tomou do mundo, (Êx. 19: 4-6; Ez. 20: 39-44). Tomando este povo de um mundo impuro e sem Deus. Ele protestou contra aquele mundo e seu pecado. Ele fez isso repetidamente em poupando Seu povo infiel, porque Ele não queria que o mundo sem santidade se regozijasse sobre o que poderia considerar a falência de Sua obra, (Os. 11: 9).
C. NATUREZA DA SANTIFICAÇÃO
1. É uma obra sobrenatural de Deus: Alguns têm a noção errônea de que santificação consiste meramente no alongamento da nova vida, implantada na alma pela regeneração, de um modo persuasivo pela apresentação de motivos à vontade. Mas isto não é verdade. Ela consiste fundamentalmente e primariamente em uma operação divina na alma, pela qual a santa disposição nascida na regeneração é fortalecida e seus exercícios santos são incrementados.
É essencialmente uma obra de Deus, que até onde Ele emprega meios, o homem pode, e dele se espera, cooperar, pelo uso próprio desses meios. A Escritura claramente exibe o caráter sobrenatural de santificação de diferentes maneiras. Ela a descreve como uma obra de Deus (Its. 5: 23; Hb. 13: 20, 21), como um fruto da união da vida com Cristo (Jo. 15: 4; Gl. 2: 20; 4: 19; Ef. 4: 24), como uma obra que é forjada no homem de dentro e na qual por essa mesma razão não pode ser uma obra de homem (Ef. 3: 16; Cl. 1: 11), e fala de suas manifestações nas virtudes cristãs como obra do Espírito Santo (Gl. 5: 22).
Nunca deve ser representado como um processo meramente natural do desenvolvimento espiritual do homem, nem trazido ao plano de uma mera obra humana, como é feito em grande escala na teologia liberal moderna.
2. Ela consiste de duas partes.  As duas partes da santificação são representadas nas Escrituras como:
a) A mortificação do homem velho, o corpo do pecado.  Este termo escriturístico denota o ato de Deus pelo qual a poluição e corrupção da natureza humana resultante do pecado é gradualmente removida. É constantemente representada na Bíblia como a crucificação do velho homem, e á assim relacionada com a morte de Cristo na Cruz. O velho homem é natureza humana até onde ele é controlado pelo pecado (Rm. 6: 6; Gl. 5: 24). No contexto da passagem de Gálatas, Paulo contrasta as obras da carne e as obras do Espírito Santo, e diz: “E os que são de Cristo crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências”. Isto significa que no vaso desses o Espírito Santo ganhou predominância.
b) A vivificação do novo homem, criado em Cristo Jesus para as boas obras. Enquanto a primeira parte da santificação é negativa em caráter, esta é positiva. E aquele ato de Deus pelo qual a santa disposição da alma é fortalecida, santos exercícios são aumentados, e assim um novo curso de vida é produzido e promovido. A velha estrutura do pecado é gradualmente arrancada, e uma nova estrutura de Deus é edificada em seu lugar. Estas duas partes da santificação não são sucessivas, mas contemporâneas. Graças a Deus, a construção gradual do novo edifício não precisa esperar até o que o velho seja completamente demolido. Se tivesse de esperar para isso, jamais poderia começar nesta vida. Com a dissolução gradual a do velho o novo vai aparecendo. É como a atmosfera de uma casa cheia de odores pestíforos. Conforme o ar viciado é posto para fora, o novo entra. Este lado positivo da santificação é constantemente chamado como “sendo ressuscitado junto com Cristo” (Rm. 6: 4, 5; Cl. 2: 12; 3: 1, 2). A nova vida para qual ela conduz é chamada “a vida em Deus”. (Rm. 6: 11; Gl. 2: 19).
D. O AUTOR E MEIOS DE SANTIFICAÇÃO
A santificação é uma obra do Deus trino, mas é atribuída mais particularmente ao Espírito Santo na Escritura. (Rm. 6: 11; 15: 16; IPd. 1: 2). É particularmente importante em nossos dias, com sua ênfase na necessidade de aproximar à Antropologia o estudo da Teologia e o seu chamado unilateral para servir o Reino de Deus, para enfatizar o fato de que Deus e não o homem é o autor da santificação.
1. A Palavra de Deus: Em oposição a qualquer mérito humano deve ser esclarecido que o meio principal usado pelo Espírito santo é a Palavra de Deus. A Escritura apresenta todas as condições objetivas para exercícios e atos santos. Ela ajuda a exercitar atividade espiritual induzindo e apresentando motivos, e dando direção a eles por proibições, exortações e exemplos (IPd. 1: 22; IIPd. 1: 4).
2. Direção providencial: As providências de Deus, tanto favoráveis como adversas, são constantemente poderosos meios de santificação. Em conexão com a operação do Espírito Santo através da Palavra, eles trabalham com nossa afeição e assim frequentemente aprofundam a impressão de verdade religiosa e forçam sua fixação. Deve-se ter em mente que a luz da revelação de Deus é necessária para interpretação de Sua direção providencial (Sl. 119: 71; Rm. 2: 4; Hb. 12: 10).
A santificação é usualmente um longo processo e nunca alcança perfeição nesta vida. Ao mesmo tempo pode haver casos na qual ela é completada em um tempo muito curto ou mesmo em um momento, como por exemplo, nos casos em que a regeneração e conversão são imediatamente seguidas pela morte temporal.
Portanto, a santificação pode ser definida como a graciosa e contínua operação do Espírito Santo, pela qual Ele livra o pecador justificado da poluição do pecado e renova sua natureza toda na imagem de Deus, e o prepara para realizar boas obras.


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...