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quinta-feira, maio 01, 2014

HISTÓRIA DA LITURGIA DA PALAVRA DE DEUS

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              Estudo Teológico  
          A liturgia da Palavra nos remete ao Antigo Testamento e adentrando ao Novo Testamento em relação às celebrações dos cultos na Sinagoga judaica. De certa forma a Igreja adotou boa parte deste sistema de culto e da sua mentalidade, fazendo desse modo uma forma de rememoração. Segundo White é possível observarmos que as estruturas judaicas do culto na sinagoga bem como seus ideais subjetivos foram uma das formas de tornar possível o culto cristão.
O oficio sinagogal judaico e sua mentalidade está subjacente à liturgia cristã da palavra. Portanto, precisamos perguntar quais as funções preenchidas pelo ofício sinagogal. Por estranho que pareça, ele parece ter surgido para preencher uma função nacionalista, a sobrevivência de Israel durante o exílio na Babilônia. Embora nos faltem informações claras sobre as origens do ofício sinagogal, ele parece ter-se originado em algum momento no séc. 6 a.C., quando os judeus se encontravam cativos na Babilônia. O templo de Jerusalém estava em ruínas e o culto nacionalizado, cujo centro lá se encontrava, fora interrompido abruptamente. Não havia maneira de retomar em outro lugar o culto sacrifical do templo, que naquela época se identificava exclusivamente com Jerusalém. Um novo início precisava ser encetado para que Israel pudesse sobreviver. (WHITE 1997, p. 112).
“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino,...” (Mateus 4: 23).
Israel ao longo do tempo conseguiu sobreviver aos ataques inimigos, mas persistiu com seu culto sinagogal, enquanto diversos reinos foram dissipados pela espada. Graças ao poder de recordação, reforçado pelo seu modo de cultuar a Deus de geração após geração, foi formidável para si e para a tirania babilônica. Os israelitas cedo acharam por bem registrar escrevendo suas memórias relatando as ações de Deus que era muito útil para que fossem lembrados os grandes feitos de Deus, tornando desse modo os judeus um povo singular. A sinagoga era um lugar propício para que esses escritos fossem ensinados. Essa memória era motivo de regozijo, pois elas tomavam vida quando eram lidas oralmente num tom alto, também quando ela era tida como objeto de reflexão e de regozijo na comunidade reunida para tal propósito. (WHITE, 1997, p. 112).
Segundo White (1997, p. 112) “Judeus exilados e saudosos de sua terra natal se reuniam para ler, refletir e regozijar-se no que Deus fizera para seu povo. E a cada vez que faziam essas coisas, sua identidade era renovada”.
As condições para ser realizado esse tipo de culto ou instrução, não havia necessidade de templo ou mesmo de sacerdotes. Essas reuniões eram realizadas por pessoas leigas; para isso era necessário que houvesse dez homens judeus, para que fosse considerada como uma sinagoga. Para que fossem realizadas essas reuniões, era necessário um livro e as pessoas. Não há como exagerar o sistema leigo de semelhante culto. “O cerne do culto sinagogal é a identificação com as memórias coletivas da comunidade e a respeito daquilo que Deus fez pelo seu povo. E a palavra falada é o meio pelo qual isso ocorre”. (WHITE, 1997, p. 113).
Assim era o culto com que estavam familiarizados os primeiros cristãos, a maioria dos quais eram judeus. Percebemos fragmentos desse culto na sinagoga de Nazaré em Lc. 4. 16-28. Jesus fez a leitura do profeta Isaías e sentou-se para pregar. Na sinagoga de Antioquia da Pisídia, “depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga” convidaram Paulo e seus companheiros a falar (At. 13: 15). Tratava-se de um estilo de culto profundamente familiar aos primeiros cristãos; seu Senhor o havia sancionado ao frequentá-lo com regularidade (Lc. 4: 16), e os apóstolos o tinham utilizado plenamente. (WHITE, 1997, P. 113).
Os cristãos convertidos do judaísmo ao cristianismo continuaram com o padrão de culto público nas sinagogas, é bem provável que eles celebravam seus cultos nas sinagogas também. Somente a Ceia do Senhor era celebrada “em casas particulares”. (At. 2: 46). (WHITE, 1997, p. 114).
Mas não tardou para que os cristãos fossem expulsos da sinagoga, e em meados do séc. II constatamos que ocorrera uma fusão desses dois tipos de culto, em caráter experimental inicialmente, mas que logo se tornou permanente. O padrão sinagogal foi enxertado no padrão da Ceia do Senhor, ou os dois meios foram fundidos: a palavra falada e o sinal executado. Do séc. VI ao XVI a liturgia da palavra e a Ceia do Senhor se haviam tornado inseparáveis, exceto em ocasiões raras como a Sexta Feira Santa. (WHITE1997, p. 114).
A fusão da palavra e os procedimentos litúrgicos, provavelmente tenham ocorrido antes, temos como primeiro indício o que está escrito na Primeira Apologia de Justino Mártir, que foi escrito em Roma por volta do séc. II. Justino deixou-nos dois exemplos de uma reunião sobre a Ceia do Senhor. A primeira tem sua sequência no batismo. Os novos batizados (provavelmente na Páscoa), conduzidos à assembleia litúrgica, que oferecia orações pelos participantes, davam-se o ósculo da paz e a seguir iniciava-se a Ceia do Senhor. É bem provável que a iniciação quando era celebrada, substituía a liturgia da palavra, mas não a Ceia do Senhor. Também Justino parece ter descrito o que parecia ser um culto dominical comum: (WHITE, 1997, p. 114).
No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se leem, enquanto o tempo permite as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor terminava, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida levantamo-nos todos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, oferece-se pão, vinho e água.  (WHITE, 1997, p. 114).
Nesses cultos, havia leituras do Antigo e do Novo Testamento, um sermão e intercessões gerais, ou orações dos fiéis, ou seja, essas orações eram a favor das pessoas. (WHITE, 1997, p. 114).
Quanto à leitura da palavra era flexível, incluindo diversos trechos dos escritos sagrados. Conforme explicação de White (1997, p. 114, 115) “A forma das intercessões da Sexta-Feira Santa – oração responsiva, oração silenciosa com todos ajoelhados e uma oração de síntese em que todos ficam em pé – é primitiva (dos primeiros tempos). Elementos não – essenciais aparecem na liturgia da palavra dos primeiros tempos. Conta-nos Agostinho: “Entrei na igreja, saudei as pessoas com a saudação costumeira e o leitor iniciou as leituras.” Início mais parco e abrupto não é possível imaginar.
Segundo comentário de O Westminster Directory impôs às igrejas nacionais da Inglaterra, Escócia e Irlanda a abordagem puritana do culto em 1645, suplantando o Livro de Oração Comum por 15 anos e acabando com a autoridade do Book of Comon Order escocês (1564). O Diretory é mais do que um livro de rubricas, e menos do que um livro de orações. A ordem para o “culto público de Deus” é a seguinte: o ministro chama a congregação para o culto e inicia uma oração lembrando as pessoas de sua própria vileza e indignidade para se aproximar tanto dele [Deus]; com sua extrema incapacidade de, por si próprios, [realizar] tamanha obra. Segue-se a leitura da Palavra (ordinariamente um capítulo de cada testamento na base da lectio continua), canta-se um salmo, faz-se intercessão, uma oração pastoral muito longa de confissão e intercessão, pregação da palavra, oração de ação de graças, o Pai-Nosso, um salmo cantado e uma benção. Esta liturgia da palavra forneceu por vários séculos a estrutura básica do culto para boa parte da tradição reformada de fala inglesa. A pregação é obviamente o ato dominante do culto. A abordagem medieval, com ênfase na confissão de pecados e na penitência, é evidente, mas há claros ganhos na recuperação das leituras do Antigo Testamento, na alta consideração pela salmódia congregacional e na importância da pregação. (WHITE, 1997, p. 119, 120).
     Conceito de Prédica Segundo (Schneider – Harpprecht). 
Prédica: Discurso; oração. [Cf. predica, do v. predicar]. (FERREIRA, 2009. Dicionário Eletrônico).  A prédica está intrinsecamente ligada às práticas kerigmáticas, quanto à liturgia da pregação, Schneider – Harpprecht trata desse assunto com muita profundidade, embora a prática da prédica seja pouco conhecida, ou desconhecida no meio pentecostal.  A prédica não é muito comentada, ou conhecida devido à sua forma de cultura em que se encontrava como também se encontra hoje, um pouco distante do pentecostalismo. Nós preferimos chamar a mensagem de pregação, outros pelo nome sermão, a prédica pode ser considerada também como mensagem, pregação e sermão.
Faremos algumas considerações somente sobre a prédica cristã para que possamos conhecer um pouco a seu respeito. Todo pregador tem diante de si um fator importante e ele sabe que precisa despender esforços para elaborar uma prédica. Isso ele fará sabendo sobre o que o texto escolhido tem a dizer, e como esse texto pretende que seja entendido pela comunidade, mas ele comunica, “(ideias de quem? As do texto, ou as do pregador? Ou as de Deus?)”. É exatamente isso que importa para a sua comunidade, que se reúne não para ouvir suas palavras, ou qualquer coisa, mas a Palavra de Deus. (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p. 144). (Grifo meu).
Segundo Schneider – Harpprecht segue-se uma orientação para nos auxiliar, quanto ao procedimento e a forma correta de considerarmos o que significa prédica e a forma de exposição da mesma. “Antes disso, porém, seguem-se algumas observações preliminares para facilitar a nossa compreensão:”
Nossa proposta visa fazer com que nos ocupemos de maneira nova – saindo da rotina – com a teologia da prédica para definir nosso próprio posicionamento. Queremos estimular o/a leitor/a ocuparem-se mais uma vez com temas homiléticos, a ocuparem-se mais uma vez com sua própria posição teológica. Neste ensaio o discurso público proferido no púlpito é designado sempre como “prédica”. Em relação a isto poderia surgir um problema terminológico, já que essa expressão é desconhecida em algumas igrejas ou porque se emprega outro termo: “sermão” e “homilia” no âmbito católico, ao passo que em algumas tradições a prédica é designada como “mensagem”. O conceito genérico sob o qual se podem subsumir todas as espécies de proclamação pública da Palavra é “pregação”.  (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p. 145).
            História da Prédica na “Igreja Antiga e na Idade Média”.
O conceito sobre a prédica vem desde os tempos remotos do Antigo Testamento, passou pelo Cristianismo chegando a Igreja Antiga e na Idade Média.
Schneider – Harpprecht nos dá algumas explicações sobre a prédica.
A história da prédica não começa apenas com a Reforma. Por mais supérflua que seja esta observação, ela pode nos ajudar a evitar o perigo de entender unilateralmente a “Igreja da palavra” como “instituição verbal”. De onde vem a característica – por um lado legítima, mas por outra excessivamente abordada – das igrejas protestantes como “Igreja da palavra”?
Basta apontar para as grandes prédicas contidas no Antigo e no Novo Testamento para dar-se conta de que a proclamação da palavra de Deus não é uma invenção da Era Moderna incipiente. Pensemos por ex., nos discursos de admoestação dos profetas ou nas parábolas de Jesus. Mas também na Igreja antiga e na Igreja primitiva as prédicas dos apóstolos (veja a prédica no dia de Pentecostes de Pedro em At. 2; a prédica de Estevão em At. 7; a prédica do apóstolo Paulo no Areópago em At. 17) ou as prédicas dos pais da Igreja oferecem exemplos da habilidade homilética. As primeiras reflexões sobre a teoria da prédica foram desenvolvidas por João Crisóstomo (m. em 407 d. C.) em sua obra De sacerdotio e por Agostinho (354-430 d. C.) em sua obra (homilética) principal intitulada De douctrina christiana. O alvo da prédica era a instrução pela palavra; Crisóstomo entendia essa instrução como único “meio e caminho para a santificação além do exemplo da boa ação”. (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p.146, 147).
            A igreja discursava em latim, o que não favorecia aos seus fieis, que não entendiam o discurso, e também por ser o latim o idioma falado somente pelas elites e pelo clero. No séc. VIII, Carlos Magno baixou um decreto, para que fosse feita uma “prédica no culto dominical, para edificação e instrução do seu povo”. Carlos Magno pretendia que a vida do povo tivesse uma ascensão e uma profunda renovação eclesial. Até o presente momento só haviam prédicas “ocasionais feitas por bispos em latim”, isso para o povo não repercutia em nenhum benefício. (SCHNEIDER – HARPPECHT, 1998, p. 147).
            A Prédica Segundo “Daniel Friedrich Ernest Schleiermacher (1768 – 1834)”.
Para se produzir uma prédica é necessário à espontaneidade do pregador na sua elaboração ligado com a sua maneira de agir no campo espiritual. Schleiermacher era da seguinte opinião que tanto o culto como a prédica não se consideravam “atividades docentes – neles não há nada para “aprender”, nem de modo geral em termos práticos, como nas prédicas da época do iluminismo, nem em sentido dogmático, como na ortodoxia”. Schleiermacher disse que: “na prédica se expressa à autoconsciência piedosa do pregador, cujo interesse seria introduzir a comunidade nesse sentimento piedoso e fazê-lo sintonizar-se com ele”. O pregador desloca-se do centro da sua comunidade, “colocando-se diante dela, fazendo-a participar, durante a prédica, do sentimento da religião”. (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p.153).
      A Prédica na Visão de “Karl Barth (1886 – 1968)”.
A visão de Barth quanto à prédica enfoca a impossibilidade e a dependência do pregador buscar auxílio em Deus para formular sua prédica. Então se justifica que a pregação de improviso está fora de cogitação por não ter o mínimo de bom senso na sua preparação. “O pregador precisa entender que ele é um instrumento de Deus, que o requisita para que, por meio da prédica do pregador, tomar, ele próprio, a palavra”. Para o mensageiro que vai reproduzir a prédica porque ela não depende dele. “Isto, naturalmente, está fora do domínio do próprio pregador, e a prédica é a “possibilidade impossível” do pregador”. (SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, p. 154 apud BARTH).
Um dos enfoques de Barth não é só o preparo e a eloquência do pregador, mas um requisito necessário é a sua vocação. Portanto, o pregador precisa primeiramente ser vocacionado por Deus para tão nobre arte. “Numa pequena homilética, Karl Barth oferece a seguinte definição sobre a doutrina da prédica em duas partes”:
1. A prédica é a palavra de Deus, falada por ele mesmo lançando mão do serviço da explicação – em discurso livre, dirigido a pessoas da atualidade – de um texto bíblico por parte de uma pessoa vocacionada para isso na Igreja obediente à sua missão. 2. A prédica é a tentativa ordenada à Igreja de servir à palavra do próprio Deus por meio de uma pessoa vocacionada para isso, e de servir a ela de tal modo que um texto bíblico seja explicado, em discurso livre, a pessoa da atualidade como texto que diz respeito justamente a elas enquanto anúncio daquilo que têm a ouvir do próprio Deus. (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p. 154 apud BARTH).
Como podemos observar a prédica está mais voltada para o estilo das igrejas anteriores e posteriores a Reforma, entre elas, provavelmente a Igreja Luterana, exerce a prática da prédica, e também a vocação do pregador, conforme havíamos dito que, “na prédica se expressa à autoconsciência piedosa do pregador, cujo interesse seria introduzir a comunidade nesse sentimento piedoso”. (SCHNEIDER – HARPPRECHT, 1998, p.153).
Essa postagem não esgota o assunto, mas devido o espaço, deixo apenas essa breve contribuição para que você tenha noção do referido assunto, a partir daqui espero que seja oportuno para meus queridos leitores a expansão do mesmo.


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