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sexta-feira, setembro 19, 2014

MISSÃO EM BELÉM DO PARÁ E A CISÃO NA IGREJA


MEUS CAROS LEITORES PEÇO DESCULPAS POR ESTAS PROPAGANDAS POSTADAS SEM MINHA AUTORIZAÇÃO.

Encontro dos dois Missionários e o Sonho de fazer Missão em Pará.
Os dois Missionários se conheceram numa Igreja sueca no estado de Chicago em 1909 dez anos após a morte do evangelista Dwight l. Moody, que vivia naquela cidade.
O que chamou a atenção de Gunnar Vingren e Daniel Berg para missões transculturais foi uma profecia de um patrício e irmão na fé chamado Adolf Ulldin, proferida na cozinha de sua casa em South Bend, uma cidade no extremo norte de Indiana, no verão de 1910. (CÉSAR, 2000, p. 118).
Os jovens ouviram atentamente as palavras “Adolf Ulldin, narrou-lhes um sonho, em que dois personagens, lhe apareceram, com um nome bem legível, e muito estranho: Pará”. Convictos que era a resposta às orações, e com o sonho de fazer missão no Estado do Pará. Foram a uma biblioteca em busca da origem Pará. (OLIVEIRA, 1997, p. 34). O nome Pará nunca tinha sido visto pelos dois, mas eles sabiam que era um país estrangeiro, logo ao “sul da linha do Equador, na fronteira de uma selva quente e úmida”. (BERG, 1995, p. 53)
A Chegada dos Missionários a Belém do Pará.
Convictos que era um chamado missionário para o Brasil partiram rumo ao Pará. E no dia 19 de novembro de 1910 os Missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, desembarcaram no Brasil, em Belém do Pará. (ALMEIDA, 1993, p. 251).
Alguns anos antes da chegada dos missionários, o Acre estava vivendo nos anos de 1877 o auge da produção da borracha. (ANTUNES, 2007, p.8).
Cerca de 4.600 nordestinos fugindo da seca, se instalaram no Estado do Acre vizinho do Mato Grosso e da Amazônia. No ano de 1900 os imigrantes somavam 158 mil. O Acre se transformou de território indígena em um contingente misto, de estrangeiros e a proporção de negros entre os brasileiros era significativa. A Amazônia viveu nesse período a fama de Estado rico alimentado pelo cultivo e extração da borracha. (CROCE, 2011, p. 146).
A chegada dos Missionários “aconteceu justamente no início do declínio da economia da Amazônia, devido à queda da produção de borracha provocada pelos mercados asiáticos”. (CÉSAR, 2000, p. 119).
Oliveira diz que a situação dos missionários ao desembarcarem no porto de Belém era muito difícil, tinham poucos recursos financeiros, além disso, estavam sozinhos num lugar totalmente desconhecido:
Após desembarcarem em Belém os únicos 16 mil réis foram gastos num dia de hospedagem. Com os níqueis restantes, iriam de bonde, no dia seguinte, em busca da residência do Pastor metodista Justus Nelson, diretor do jornal que, “casualmente”, chegara às mãos de Vingren no quarto onde se haviam hospedado. Para surpresa deles, tratava-se de um conhecido de Vingren, nos Estados Unidos.
Separados para as missões por uma Igreja Batista, nada mais natural encaminhá-los aos irmãos da fé, o que se fez. No dia seguinte, foram muito bem recebidos pelo missionário Erik Nelson. Este, como eles de nacionalidade sueca, convidou-os a cooperarem no trabalho. E ofereceu-lhes o porão da Igreja, onde se alojaram.  (OLIVEIRA, 1997, p. 36).
A Cisão Entre os Pentecostais e os Batistas.
Segundo comentário de César; Shaull (1999, p. 21), houve a cisão entre os Pentecostais e os Batistas, devido à nova forma de culto pentecostal, se bem que uma nova igreja estava prestes a nascer, e a cisão entre eles foi inevitável. Sem nenhuma alternativa para o incidente, que contribuiu para a expulsão dos missionários juntamente com uma minoria de membros batistas.
Em pouco tempo a notícia correu: uma mulher havia falado em línguas, seguida por outras pessoas, o que provocou forte discussão num dia de culto. Na ausência do pastor, o diácono encarregado dos trabalhos afirmou que tais manifestações eram coisas daqueles tempos. Vingren, calmamente, argumentou que era secundário perguntar quem conduz as almas para Deus. O primordial é que um número cada vez maior de almas sejam salvas. Não quero dizer que o senhor, irmão, não esteja com a verdade, mas que não é dono absoluto da verdade. Quiçá lhe falte à verdade sobre o batismo do Espírito Santo e sobre a cura maravilhosa dos enfermos por Jesus; isto pode ser experimentado em nossos dias. Berg e Vingren, porém foram expulsos do templo. (CÉSAR; SHAULL, 1999, p. 21).
As Versões sobre a Cisão entre os Pentecostais e os Batistas.
Somente através de uma pesquisa exaustiva é que podemos chegar a um consenso sobre as divergências históricas, que não foram contadas sobre a verdadeira cisão entre os Pentecostais e os Batistas. Pretendemos citar algumas delas, mas elas não esgotam o assunto.
Versão Assembleiana.
A versão assembleiana diz que, Daniel Berg e Gunnar Vingren até aquele momento estavam ligados à Igreja Batista na América (as igrejas que aceitavam o avivamento permaneciam com o mesmo nome). (ALENCAR, 2010 apud CONDE, 1960: 19). Isso não impediu que houvesse o confronto, pois a atitude dos missionários não foi bem vista aos olhos dos irmãos batistas. De fato não foi uma atitude correta instituindo um culto pentecostal justamente no porão da igreja dos irmãos batistas, onde estavam hospedados.
Segundo comentário de Pepeliascov (1997, p. 55), as reuniões com os missionários juntamente com alguns irmãos batistas duraram aproximadamente três meses. Inconformados com o que estava acontecendo entre os missionários e os irmãos batistas houve a separação entre eles devido a nova forma de culto.
Versão Batista.
Mesquita comenta em poucas palavras sobre o encontro dos missionários com um irmão batista. “Em abril de 1911 desembarcaram em Belém dois missionários suecos que se intitularam batistas. Dirigiram-se imediatamente a Nelson, seu conterrâneo, sendo acolhidos por ele”. (ALENCAR, 2010 apud MESQUITA, 1940: 136).
Pereira comenta sobre o mesmo assunto, só que de forma mais detalhada, assim que os missionários chegaram a Belém do Pará, identificaram-se como batistas, se ofereceram para auxiliar o missionário Eurico Nelson, pedindo-lhe hospedagem. Nelson lhes ofereceu o porão da igreja. Nelson precisou fazer uma viajem ao Sul. “Segundo Emílio Conde, historiador da Assembleia de Deus, eles procuraram o missionário metodista Justus Nelson, e foi esse que, sabendo que eram batistas, levou-os à igreja batista”. Depois de algum tempo, na ausência do pastor Eurico Nelson, “primeiro Gunnar e depois Daniel pediram ingresso na igreja, declarando-se membros de uma igreja batista nos Estados Unidos”. Gunnar Vingren se apresentou como pastor. “A igreja recebeu-os com muita alegria”. (PEREIRA, 1982, p.110, 111).
Pereira comenta sobre os fatos que repercutiram na cisão da igreja, devido certos acontecimentos nos cultos dirigidos pelos dois missionários, juntamente com alguns irmãos batistas:
Mas os dois começaram a realizar reuniões de oração no porão onde residiam. Nessas reuniões havia estranhos ruídos e estranhas línguas. Alguns membros da igreja começaram a adotar as ideias dos recém-vindos. Aumentando o número e chegando ao ponto de haver manifestações pentecostais numa reunião de oração da igreja, e estando o próprio moderador da igreja, José Plácido da Costa, envolvido, o evangelista Raimundo Nobre convocou, com apoio da maioria dos diáconos, uma sessão extraordinária, e os adeptos de Vingren e Berg formam excluídos. A igreja nesse tempo estava com cerca de 170 membros, e os excluídos foram treze. Assim é estranho que o historiador pentecostal Emílio Conde diga que a minoria excluiu a maioria. (PEREIRA, 1982, p. 110, 111). (Grifo meu).
Versão do Pastor Gunnar Vingren.
Segundo comentário do próprio pastor Gunnar Vingren (1982, p. 36, 37) em seu diário, após um culto de oração juntamente com os irmãos batistas, a irmã Celina Albuquerque recebeu o dom das línguas estranhas, isso repercutiu negativamente para os dois missionários. (Grifo meu).
O evangelista que se opusera contra o novo modelo de culto dentro da Igreja Batista disse:
Todos os que estão de acordo com a nova seita, levantem-se. Dezoito irmãos se levantaram e foram imediatamente cortados da comunhão da igreja. O pastor que era um homem verdadeiramente crente e muito sereno orou então a Deus no seu coração e pediu uma palavra. Abriu depois a Bíblia e encontrou o verso que diz: “Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor, e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; E eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso”. (II Co. 6: 17 18).
Estes dezoito irmãos saíram então da igreja batista para nunca mais voltarem. Isto aconteceu em 13 de junho de 1911. (VINGREN, 1982, p. 37).


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