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sexta-feira, novembro 07, 2014

HISTÓRIA DA PRÉDICA NA IDADE MÉDIA

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 É de se admirar o esforço das Igrejas Pós Reforma em proceder nas suas prédicas, e como elas fazem com muito afinco. É lamentável que o pentecostalismo que tinha e tem tudo para ser uma Igreja com um genuíno fator de expor sua prédica, com todo brilho do Espírito Santo, se deteve em concordar com a baixa educação de alguns de seus membros, no que repercutiu em grande atraso teológico, engessado, desprovido de uma pedagogia científica, que nos levou a vivermos somente num misticismo, incoerente com o nosso segmento eclesial e social.
a) Igreja Antiga e Idade Média: Não foi na Reforma que a história da prédica teve seu início. Por mais supérflua que esta observação possa parecer ela nos ajudará a entendermos unilateralmente a “Igreja da palavra” como “instituição verbal”. Essa posição por um lado características verdadeiras, mas não deixando de ser excessivamente abordada – das igrejas protestantes como “Igreja da palavra”? Basta apontar para as grandes prédicas contidas no Antigo e no Novo Testamento para dar-se conta de que a proclamação da palavra de Deus não é uma invenção da Era Moderna incipiente. Pensemos p. ex., nos discursos de admoestação dos profetas ou nas parábolas de Jesus. Mas também na Igreja antiga e na Igreja primitiva as prédicas dos apóstolos (veja a prédica de Pentecostes de Pedro em At 2; a prédica de Estevão em At 7; a prédica do apóstolo Paulo no Areópago em At. 17) ou as prédicas dos pais da Igreja oferecem exemplos da habilidade homilética3. As primeiras reflexões sobre a teoria da prédica foram desenvolvidas por João Crisóstomo (m. em 407 d. C.) em sua obra De sacerdotio e por Agostinho (354-430 d. C.) em sua obra (homilética) principal intitulada De douctrina christiana4. Para Agostinho, o amor a Deus por causa de Deus, que inclui o amor ao próximo, é a vocação suprema do ser humano e, por conseguinte, o alvo da interpretação bíblica e da prédica5. Para tanto se podem empregar recursos retóricos, cujos limites, entretanto, residem no fato de que uma verdadeira compreensão da Sagrada Escritura só pode ser adquirida com os dons do Espírito Santo6. Dificilmente se pode superestimar a influência de Agostinho sobre a prática de pregação da Idade Média. Assim, o método interpretativo relacionado ao sentido quádruplo da Escritura que foi empregado na Idade Média remonta
3 A chamada 2ª Epístola de Clemente, aproximadamente do ano de 150 d. C., é considerada a mais antiga prédica comunitária protocristã. Grandes pregadores da Igreja antiga foram Tertuliano (m. aproximadamente em 220), Cipriano (m. após 258) e, sobretudo Orígines (m. em 254).
4 Cf. verbete Homiletik, de Hans Martin MÜLLER, in: Die Religion in Geschichte und Gegenwart.
5 Cf. ID., IBID.
6 Agostinho, Crisóstomo, Orígines, os grandes capadócios, Tertuliano – todos eles eram mais ou menos instruídos em termos de retórica. Essa clássica do discurso tinha sua tarefa na argumentação política e era ensinada como ciência.  
a Agostinho. O alvo da prédica era a instrução pela palavra; Crisóstomo entendia essa instrução como único “meio e caminho para a santificação além do exemplo da boa ação”. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 146).
Schneider-Harppecht (1998, p. 147). No período da Idade Média houve uma tradição voltada para as prédicas com extrema diversificação. A prédica ocupava o seu primeiro posto. Infelizmente a prédica não foi vista pelo clero com bons olhos, e o pregador passou a ser considerado como um arauto, onde deveria pregar somente os juízos aterrorizadores que culminaria em sentença no dia do juízo final. Mas podemos encontrar uma diversidade de prédicas de multiformes características, como nas Cruzadas que eram dirigidas diretamente ao povo, nas prédicas dos escolásticos voltadas para um público acadêmico, mas, sobretudo, a atuação da prédica passou também para o misticismo.
Schneider-Harppecht (1998, p. 147). Surge no séc. VIII uma forma de regulamentação, envolvendo o Estado e a Igreja, e foi feita da parte do imperador Carlos Magno. A grande massa de cristãos cristianizado fora das fronteiras agora eles passaram a ocupar internamente grande parte do império, consolidando com isso a vida cristã e eclesial, Carlos Magno também baixou um decreto, para que fosse feita uma prédica no culto dominical, para edificação e instrução do seu povo7. Magno pretendia que a vida do povo tivesse uma ascensão e uma profunda renovação eclesial.
7 Veja Dietrich RÖSSLER, Grundriss der Praktischen Theologie, p. 309.
Schneider-Harppecht (1998, p. 147). Até o presente momento só haviam prédicas feitas em latim, isso para o povo não repercutia em nenhum benefício. Entretanto, essas novas prescrições não tiveram maiores benefícios, pelo fato de o clero comum, que somente tinha como objetivo a celebração da missa, não estava em condições favoráveis de executar as prédicas. Na época de Lutero era de grande valia a prédica, isso se dava pelo fato de a Igreja Católica, ser a detentora de maus costumes quanto à liturgia da Palavra, tanto Lutero quanto outros grandes homens viam a extrema necessidade de levar ao povo a Palavra de Deus pregada e ensinada.
a) Lutero e a época da Reforma: Lutero expressou-se de maneira extremante crítica sobre a prédica da Igreja papal. Segundo seu juízo, só seriam apresentadas “tolices”, “lendas de santos, histórias mentirosas sobre sinais milagrosos, peregrinações, missas, serviço aos santos, indulgência e coisas desse gênero”. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 147).
10 Prédica sobre Ef 5. 1-9, in: WA 8, 149ss.
11 Dietrich RÖSSLER, op. Cit., p. 313.
12 “A linguagem é uma grande e uma divina dádiva nos seres humanos, pois a sabedoria linguística, e não a violência, governa, educa, forma, consola, reconcilia as pessoas em todas as situações da vida, principalmente em questão da consciência moral... A palavra falada tem força verdadeiramente maravilhosa, pois por causa dessa palavra incerta da boca humana Satanás, o espírito mais soberbo, fica confuso e é obrigado a fugir” (Bo A 8, 223s. ; TR4081; cit. AP. Dietrich RÖSSLER, op. Cit.).
É preciso refletir sobre esse juízo de Lutero, que foi assumido até a Era Moderna, e obter clareza quanto às implicações a ele associadas.
Ao realizar esse trabalho, me detenho a pensar, o porquê de nós não termos mais apologistas no campo da Homilética, na questão da Palavra pregada e ensinada. Digo no meio pentecostal. Estamos vivendo um caos litúrgico, onde o culto visual está em grande vantagem sobre a prédica, são apresentações e mais apresentações, às vezes ficam reservados menos de trinta minutos para exposição da Palavra.
Podemos observar o valor que Lutero dava a Palavra. “Lutero viu na palavra a categoria decisiva para o relacionamento do ser humano com Deus.” 11 Deus dá o ser por meio da palavra (Gn 1), promete graça a seu povo, lhe dá ordens e o julga. O ser humano torna-se ser humano por meio da palavra, por meio da linguagem12. A fé é criada pela palavra que vem de Deus. E mais: a própria prédica é entendida como a palavra de Deus. (...), esse relacionamento de palavra falada externa e palavra interior de Deus, que cria a fé no ser humano, é suficiente; o infinito está inteiramente presente no infinito: finitun capax infiniti. (...). Para Lutero a própria palavra era “uma coisa vigorosa e eficaz”. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 148).
Schneider-Harppecht (1998, p. 149). Somente a palavra de Deus tem poder para atingir a consciência moral do ser humano, e esta deve ser amparada e libertada pela prédica evangélica. Necessariamente toda prédica deve ter como ponto central a pessoa de Cristo. Desse ponto de vista Lutero tinha toda razão de assumir totalmente a sua “doutrina da prédica” “seguinte fórmula concisa”: Solus Christus praedicandous, “é só a Cristo que se deve pregar”.
Com a Reforma de Lutero Deus providenciou tudo para que a sua Palavra fosse comunicada aos homens, por meio da imprensa. O monopólio da Igreja Católica havia ruído, e agora o povo teria acesso a Palavra de Deus. Deus age assim, quando há barreiras ele simplesmente tira as barreiras, para que a sua Palavra prevaleça.
Schneider-Harppecht (1998, p. 149). “Quase ao mesmo tempo em que ocorreu a Reforma, Johann Gutenberg desenvolveu a técnica da impressão”. Com a palavra escrita impressa e multiplicada, desenvolveu um importantíssimo papel na transição da Idade Média para a Era Moderna. O ser humano foi tido em destaque, mais acentualmente do que até então. A vez do livro, fez com que essa individualização tivesse total apoio.
O caráter do sujeito deve ser entendido como característica essencial da Era Moderna. A técnica da imprensa e a necessidade de ensinar também as pessoas simples a ler e a escrever andaram de mãos dadas. Assim, devemos, não por último, ao desenvolvimento de um meio (a saber, do livro) o fato de que um dos bens mais valorizados do presente, o caráter de sujeito que tem o ser humano, pôde se desenvolver dessa forma tão importante para nós hoje. A insistência dos reformadores no aceso geral à escola antecipa justamente esse momento: o indivíduo torna-se sujeito de si mesmo ao se deixar interpelar pela palavra. Segundo Lutero, Deus quer dirigir a palavra ao ser humano enquanto indivíduo e quer fazê-lo diretamente. É para o indivíduo que se destina a pregação da Palavra. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 149).
Prédica [Dev. de predicar.] 1. V. sermão (1): 2. Discurso; oração. [Cf. predica, do v. predicar.
a) Considerações sobre a prédica
Ao longo da nossa vida eclesiástica vivemos e usamos termos triviais, não inovamos e nem procuramos usar termos técnicos ou desconhecidos da nossa liturgia eclesiástica. Entre tantos nomes dados a pregação, prédica para nós pode parecer desconhecido, mas esta informação vem para somar nosso conhecimento. Todo pregador tem diante de si um grande dilema relacionado com o fato de ter que pregar. Para pregar ele sabe que tem que cumprir regras ou então pregue o que quiser, não é esse o nosso caso, ao contrário temos que ser exemplo na pregação.
Schneider-Harppecht (1998, p. 144). Portanto, quem quer pregar tem diante de si uma enorme fonte nas Escrituras, que não foi escrito por ele. Todo pregador tem sua própria historia, sua própria razão de fé – tudo isso lhe foi comunicado historicamente –, tem diante de si uma congregação que, por sua vez, tem sua história própria, sua fé própria, e acima de tudo, tem uma personalidade peculiar. Todo pregador tem diante de si um fator importante e ele sabe que precisa despender esforços para elaborar uma prédica, isso ele faz sabendo sobre o que o texto escolhido tem a dizer, e como pretende que seja entendido pela comunidade, mas se comunica, (de quem é essa comunicação? Do texto ou as do pregador? Ou as de Deus?); é exatamente isso que importa para a sua comunidade, que se reúne não para ouvir suas palavras, seus improvisos, suas besteiras, asneiras ou qualquer coisa, menos a Palavra de Deus.
Schneider-Harppecht (1998, p. 144). Mas ele foi escolhido por Deus e pela comunidade para falar somente de Deus. Às vezes não prestamos conta a nós mesmos em termos teológicos sobre conceito do dia a dia e dos excessos da nossa conturbada rotina dominical. Há uma forte tendência de abandonarmos nossos conceitos teológicos e abraçarmos a nossa forma particular e nosso próprio estilo que nos lavam a certos costumes distantes do que aprendemos na academia. Pregamos muitas vezes na semana e pensamos já ter pregado tudo, esgotados os assuntos que pregamaos1.
1 O mais tardar então chega o momento em que os pastores começam a pensar em mudar de paróquia.
2 Nessas questões terminológicas, adoto aas propostas de Nelson KIRST, Rudimentos de Homilética, p. 17s.
Segue uma orientação para auxiliar nosso procedimento e a forma correta de considerarmos nossa forma de expormos nossa prédica.
Nossa proposta visa fazer com que nos ocupemos de maneira nova – saindo da rotina – com a teologia da prédica para definir nosso próprio posicionamento. Queremos estimular o/a leitor/a ocupar-se mais uma vez com temas homiléticos, a ocupar-se mais uma vez com sua própria posição teológica. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 144).
b) A Função do termo prédica
Estamos acostumados com o nome pregação, ou mensagem, forçando um pouco preleção, provavelmente jamais abriria outro espaço para entendermos a função do termo prédica, se bem que o nosso assunto homilético tem tudo a ver com este termo, porém muito pouco, ou quase nada está sendo usado em nosso meio, digo meio pentecostal.
Neste ensaio o discurso público proferido no púlpito é designado sempre como “prédica”. Em relação a isto poderia surgir um problema terminológico, já que essa expressão é desconhecida em algumas igrejas ou porque se emprega outro termo: “sermão” e “homilia” no âmbito católico, ao passo que em algumas tradições a prédica é designada como “mensagem”. O conceito genérico sob o qual se podem subsumir todas as espécies de proclamação pública da Palavra é “pregação” 2 (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 144).
c) A Prédica no pensamento de Schleiermacher e de Barth
Serve de estímulo espiritual para nós o testemunho desses dois grandes homens de Deus, que deixaram seus pensamentos quanto à prédica.
Schneider-Harppecht (1998, p. 153). Daniel Friedrich Ernest Schleiermacher (1768-1834). “Schleiermacher era um teólogo com uma inclinação e sensibilidade acentuadamente artística. A partir daí explica-se também por que ele colocou a prédica numa relação de analogia com o lirismo”.
No pensamento de Friedrich Schleiermacher encontra-se uma concepção homilética inteiramente distinta daquela proposta pelo iluminismo. Para ele o culto e a prédica não são atividades docentes – neles não há nada para “aprender”, nem de modo geral em termos práticos, como nas prédicas da época do iluminismo nem no sentido dogmático, como na ortodoxia. Bem pelo contrário: na prédica se expressa à autoconsciência piedosa do pregador, cujo interesse seria introduzir a comunidade nesse sentimento piedoso e fazê-lo sintonizar-se com ele. O pregador sai do meio da comunidade, colocando-se diante dela, e a faz participar, durante a prédica, do sentimento da religião. Ele comunica a comunidade em sua alocução o que sente profundamente em si mesmo. Segundo Schleiermacher, a prédica seria comunicação da autoconsciência piedosa que se tornou pensamento. “Ele [sc. O pregador] adianta-se para exibir sua própria concepção como objeto para os demais, para conduzi-los à área da religião, onde é o lar dele, e para inocular-lhes seus sentimentos sagrados: ele enuncia o universo, e em sagrado silêncio a comunidade acompanha seu discurso.” 19 (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 153).
19 Friedrich SCHLEIERMACHER, Über die Religion, p. 101.
20 ID. , IBID., p. 99s.
Para Schleiermacher a participação consciente do pregador, seu ânimo interior, seria a vida da sua prédica, isso seria expor seus sentimentos mais profundos na questão da Palavra pregada, sem interpor a atuação do Espírito Santo.
Schneider-Harppecht (1998, p. 153). “O que impeliria o pregador não seria seu próprio orgulho ou pretensão. Pelo contrário: aquilo que ele sente interiormente faz com que comunique isso à comunidade”. Schneider; Harppecht (1998, p. 153). De início sua aspiração é antes de tudo, quando uma reflexão religiosa clareou sua mente ou o seu sentimento piedoso que preenche sua alma – também tem condições de chamar para si a atenção de outros ouvintes para esse objeto “e, na medida do possível, reproduzir nela as vibrações de seu ânimo.”  
Quando a prédica era finalizada, o pregador então voltava par o circulo da sua comunidade. Nada o colocava acima da sua comunidade. Neste ponto Schleiermacher era inteiramente um defensor do sacerdócio de todos os crentes. O elemento de ligação entre a comunidade e o pregador é a relação comum com a Escritura. Sob esta ótica pode-se designar o procedimento homilético de Schleiermacher como dialógico: “E um diálogo com a passagem da Escritura, que ele [sc. o pregador] inquire e que lhe reponde, e com sua comunidade.” 21 (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 154).
21 ID., PraktischenTheologie, p. 216. 23 Karl BARTH, Homiletik, p. 30.
O pensamento de Schleiermacher pode parecer estranho, sem uma investigação teológica. Para alguns pode ser uma idéia, um tanto absurda, mas por outro lado é compreensível o seu pensamento a meu ver. Isso porque ele está se referindo a consciência interior do pregador que usa de sua consciência piedosa para comunicar sua prédica, aos seus ouvintes. Deus não usa homens robotizados, mas sua participação consciente é sem dúvida necessária e coerente.
Barth foi sem dúvida, um teólogo muito considerado nos círculos acadêmicos, também deixou sua grande contribuição teológica, quanto à questão da prédica.
Schneider; Harppecht (1998, p. 154). Karl Barth (1886-1968): “Para a teologia da dialética, a tarefa da prédica era tão- somente a “proclamação da palavra de Deus”, e não instrumentação, aplicação prédica ou regalo com as profundezas de um sentimento religioso indefinível”.
Nesta concepção, a questão decisiva da homilética é a definição do relacionamento entre a palavra humana – que nossa prédica, afinal, sempre é – e a palavra divina – que uma prédica deveria ser. Ocorre que, em certo sentido, a teologia dialética, ao definir o que é a prédica, recorre a um padrão básico ortodoxo quando constata: praedicatio verbi Dei est verbum Dei – “a pregação da palavra de Deus é a palavra de Deus”. A palavra de revelação de Deus deve expressar-se na prédica; a prédica deve poder tornar-se palavra de Deus. O pregador deve entender a si mesmo como instrumento de Deus, que o requisita para, por meio da prédica do pregador, tomar, ele próprio, a palavra. Isso, naturalmente, está fora do domínio do próprio pregador, e a prédica é a “possibilidade impossível” do pregador. (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 154).
Numa pequena homilética Karl Barth oferece a seguinte definição de doutrina da prédica em duas partes.
1. Prédica é a palavra de Deus, falada por ele mesmo lançando mão do serviço da explicação – em discurso livre, dirigindo a pessoas da atualidade – de um texto bíblico por parte de uma pessoa vocacionada para isso na Igreja obediente à sua missão.
2. A prédica é a tentativa ordenada da à Igreja de servir à palavra do próprio Deus por meio de uma pessoa vocacionada para isso, e de servir a ela de tal modo que um texto bíblico seja explicado, em discurso livre, as pessoas da atualidade como texto que diz respeito justamente a elas enquanto anúncio daquilo que têm a ouvir do próprio Deus. 23 (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 154).
Schneider-Harppecht (1998, p. 154). Barth procurou expor de maneira consciente o que de fato é necessário para que o pregador conheça a sua definição de prédica. O pregador sempre está a quem da exigência que pesa sobre ele na tarefa de proclamador da Palavra de Deus. Ele como recebedor da palavra, sem estar seguro da sua incumbência; pois o que ele tem a expressar não passa de palavra humana. Somente Deus tem o poder de transformar a palavra humana em sua Palavra, que tenha como propósito atingir o seu ouvinte.
1. A tentativa da teologia dialética deve ser entendida como reação e medida defensiva contra toda e qualquer tentativa humana de cooperar no acontecimento da revelação de Deus. O ser humano é recebedor da palavra de Deus. Também o pregador, não obstante todo o esforço que deva envidar em sua preparação para a prédica, não pode saber se com suas palavras ele realmente proclama a palavra de Deus. Isto é um círculo fechado em que Deus é o sujeito e o objeto e mediação entre ambos. “25 (SCHNEIDER-HARPPECHT 1998, P. 154).
Barth menciona a palavra vocacionado. Sabemos que existem grandes oradores em nosso meio, se esses homens foram realmente chamados por Deus, consequentemente são vocacionados por Ele. Independente de serem homens, provavelmente instruídos na técnica do conhecimento dialético, não pode ser considerada a técnica dialética como um obstáculo para a pregação, se bem que podemos usar tais recursos, mas isso não entra em choque com a ação do Espírito Santo o principal agente da transmissão da Palavra de Deus, nos homens vocacionados.
Dialética [Do gr. Διαλεκτικε - dialektiké (téchne), pelo lat. dialectica.] Filos. Arte do diálogo ou da discussão quer num sentido laudativo, como força de argumentação, quer num sentido pejorativo, como excessivo emprego de sutilezas (...). 

domingo, novembro 02, 2014

A RESTAURAÇÃO PASSA PELA FIDELIDADE NA DEVOLUÇÃO DOS DÍZIMOS (3.8-10)

Hernandes Dias Lopes
Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida (3.8-10).
Precisamos entender alguns aspectos importantes sobre a questão do dízimo. Esse é um tema claro nas Escrituras. Muitas pessoas, por desconhecimento, têm medo de ensinar sobre esse importante tema. Outras, por ganância, fazem dele um instrumento para extorquir os incautos. Ainda outras, por desculpas infundadas, sonegam-no, retêm-no e apropriam-se indevidamente do que é santo ao Senhor. O povo de Deus, que fora restaurado por Deus, agora estava roubando a Deus nos dízimos e nas ofertas.
Thomas V. Moore interpretando a lei de Moisés, diz que os dízimos requeridos pela lei mosaica eram 10% de tudo o que o povo recebia, valores esses destinados à manutenção dos levitas (Lv 27.30-32). Desses dízimos os levitas pagavam 10% aos sacerdotes (Nm 18.26-28). Ainda, outro dízimo era pago pelo povo a cada três anos, destinado aos pobres, viúvas e órfãos (Dt 14.28,29).94
Vejamos alguns pontos importantes sobre o dízimo.
Em primeiro lugar, o dízimo é um princípio estabelecido pelo próprio Deus. A palavra dízimo maaser (hebraico) e dexatem (grego) significa 10% de alguma coisa ou de algum valor.95 O dízimo não é uma cota de 1% nem de 9%; o dízimo é a décima parte de tudo o que o homem recebe (Gn 14.20; Ml 3.10).96 O dízimo não é invenção da Igreja, é princípio perpétuo estabelecido por Deus. O dízimo não é dar dinheiro à igreja, é ato de adoração ao Senhor. O dízimo não é opcional, é mandamento; não é oferta, é dívida; não é sobra, é primícia; não é um peso, é uma bênção.
O dízimo é ensinado em toda a Bíblia: antes da lei (Gn 14.20), na lei (Lv 27.30), nos livros históricos (Ne 12.44), poéticos (Pv 3.9,10), proféticos (Ml 3.8-12) e também no Novo Testamento (Mt 23.23; Hb 7.8). O dízimo não é uma questão meramente financeira, mas, sobretudo, espiritual. O bolso revela o coração. Durante o reinado de Ezequias, houve um grande despertamento espiritual e o resultado foi a dedicação de dízimos e ofertas ao Senhor (2Cr 31.5,12,19). Sempre que o povo de Deus se volta para o Senhor com o coração quebrantado, os dízimos são devolvidos.
Em segundo lugar, o dízimo é santo ao Senhor (Lv 27.32). Quando o rei Belsazar usou as coisas santas e sagradas do templo de Deus para o seu próprio deleite, o juízo divino caiu sobre ele (Dn 5.22-31). Quando Acã apanhou o que eram as primícias para Deus (Js 6.18,19) e as escondeu debaixo da sua tenda, o castigo de Deus veio sobre ele (Js 7.1).
Em terceiro lugar, o dízimo faz parte do culto. A devolução dos dízimos fazia parte da liturgia do culto. “A esse lugar fareis chegar os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos...” (Dt 12.6). A devolucão dos dízimos é um ato litúrgico, um ato de adoração que deve fazer parte do culto do povo de Deus.
Em quarto lugar, o dízimo é para o sustento da Casa de Deus. “Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação” (Nm 18.21). O dízimo é o recurso que Deus estabeleceu para o sustento de pastores, missionários, obreiros, aquisição de terrenos, construção de templos, compra de literatura, assistência social, bem como toda a manutenção e extensão da obra de Deus sobre a terra. Se no judaísmo os adoradores traziam mais de 10% de tudo que recebiam para a manutenção da Casa de Deus e dos obreiros de Deus, bem como para atender às necessidades dos pobres, muito mais agora, que a Igreja tem o compromisso de fazer discípulos de todas as nações.
Em quinto lugar, vejamos algumas desculpas descabidas quanto ao dízimo
A primeira desculpa é a justificativa teológica: O dízimo é da lei. Sim, o dízimo é da lei, é antes da lei e também depois da lei. Ele existiu no sacerdócio de Melquisedeque, no sacerdócio levítico e no sacerdócio de Cristo. A graça vai sempre além da lei (Mt 23.23). Se a lei nos isenta do dízimo, então também nos isentará da justiça, da misericórdia e da fé, pois também são da lei. Ainda que o dízimo fosse uma prática exclusiva da lei, mesmo assim, deveríamos observá-lo, pois também o decálogo é da lei e nem por isso sentimo-nos desobrigados de obedecê-lo. Ivonildo Teixeira corretamente exorta àqueles que tentam escapar da responsabilidade do dízimo dizendo que só vêem sua prática no Antigo Testamento:
Que bom você enxergar o dízimo no Testamento que fala do povo de Deus, dos grandes milagres, dos homens ungidos, dos reis e rainhas, dos profetas e sacerdotes que foram tremendamente usados por Deus. É no Antigo Testamento que encontramos os Dez Mandamentos que nos ensinam a: “Não adorar a outro Deus”, “Não fazer imagens de escultura”, “Não matar”, “Não adulterar”, “Não roubar”, “Não cobiçar”. Como estas leis estão inseridas no Antigo Testamento, sendo assim, você vai fazer tudo ao contrário? Creio que não! Se você crê na inspiração do Antigo Testamento, o dízimo está incluso, ordenado por Deus, e isto basta!97
A segunda desculpa é a justificativa financeira: “O que eu ganho não sobra”. Dízimo não é sobra, é primícia. Deus não é Deus de sobra, de resto. A sobra nós damos para os animais domésticos. A ordem de Deus é: “Honra ao Senhor com as primícias da tua renda...” (Pv 3.9). Os homens fiéis sempre separaram o melhor para Deus, ou seja as primícias (Êx 23.19; 1Cr 29.16; Ne 10.37). Se não formos fiéis, Deus não deixa sobrar. O profeta Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco furado, vaza tudo. O que ele rouba de Deus foge entre os dedos (Ag 1.6). Hoje os cristãos gastam mais com cosmético do que com o Reino de Deus. Investem mais em coisas supérfluas do que com a salvação dos perdidos. Gastamos mais com aquilo que perece do que com a evangelização do mundo. Quando acumulamos justificativas e desculpas para sonegarmos o dízimo, estamos revelando apenas que o Reino de Deus não é nossa prioridade e que o nosso amor por Deus é menor do que o apego ao dinheiro. Quando dizemos que a razão de retermos o dízimo é que se o pagarmos vai nos faltar o básico, estamos permitindo que Satanás encha o nosso coração de incredulidade. É Deus quem cuida do Seu povo. Dele vem a nossa provisão. Cabe-nos obedecer a Deus e deixar as conseqüências em Suas mãos. Ele é fiel!
A terceira desculpa é a justificativa matemática: “Eu não entrego o dízimo, porque tem crente que não é dizimista e prospera ao passo que tem crente dizimista pobre”. Não basta apenas ser dizimista, é preciso ter a motivação correta. É um ledo engano pensar que as bênçãos de Deus limitam-se apenas às coisas materiais. As pessoas mais ricas e mais felizes do mundo foram aquelas que abriram mão do que não podiam reter, para ganhar o que não podiam perder. Dízimo não é barganha nem negócio com Deus. Precisamos servir a Deus por quem Ele é e não pelo que vamos receber em troca. Se o seu coração está no dinheiro, você ainda precisa ser convertido. A prosperidade financeira sem Deus pode ser um laço. Um homem nunca é tão pobre como quando ele só possui dinheiro. Jesus disse que a vida de um homem não consiste nas riquezas que ele possui. Nada trouxemos para este mundo, nada levaremos dele. O máximo que o dinheiro pode oferecer ao homem é um rico enterro. Riqueza sem salvação é a mais consumada miséria.
A quarta desculpa é a justificativa sentimental: “Eu não sinto que devo entregar o dízimo”. Pagar o dízimo não é questão de sentimento, mas de obediência. O crente vive pela fé e fé na Palavra. Não posso chegar diante do gerente e dizer que não sinto vontade de pagar a dívida no banco. Não posso encher o meu carrinho de compras no supermercado e depois dizer para o caixa: “eu não sinto vontade de pagar essa dívida”. Apropriar-se do dízimo é desonestidade, é roubo, é subtrair o que não nos pertence. Enganam-se aqueles que sonegam o dízimo porque julgam que Deus não bate à sua porta para cobrar nem manda seu nome para o SPC do céu. A Bíblia diz que de Deus não se zomba, aquilo que o homem semear, isso ceifará. A retenção do dízimo provoca a maldição divina e a ação devastadora do devorador.
A quinta desculpa é a justificativa da consciência: “Eu não sou dizimista, mas dou oferta”. Dízimo é dívida, oferta é presente. Primeiro, você paga a dívida, depois dá o presente. Não posso ser honesto com uma pessoa, se devo a ela dez mil reais, e chego com um presente de quinhentos reais, visando, com isso, liquidar a dívida. Não podemos subornar a Deus. Ele não pode ser comprado nem enganado. Deus requer fidelidade!
A sexta desculpa é a justificativa política: “A igreja não administra bem o dízimo”. Deus mandou que eu trouxesse todos os dízimos à casa do Tesouro, mas não me nomeou fiscal do dízimo. Eu não sou juiz do dízimo de Deus. Minha obediência não deve ser condicional. Quem administra o dízimo vai prestar contas a Deus.
A sétima desculpa é a desculpa da visão mesquinha: “A igreja é rica, ela não precisa do meu dízimo”. Em primeiro lugar, o dízimo não é meu, mas de Deus. Em segundo lugar, meu dever é entregá-lo com fidelidade como Deus me ordenou e onde Deus me ordenou. Ainda perguntamos: será que temos tomado conhecimento das necessidades da igreja? Vislumbramos as possibilidades de investimento em prol do avanço da obra? Além do mais, o dízimo não é da igreja, é do Senhor. É Ele quem o recebe (Hb 7.8).
A oitava desculpa é a desculpa da discordância pessoal: “Eu não concordo com o dízimo”. Temos o direito de discordar, só não temos o direito de escolher as conseqüências das nossas decisões. Quando discordamos do dízimo, estamos discordando da Palavra de Deus que não pode falhar. Quando discordamos do dízimo, estamos indo contra a palavra dos patriarcas, dos profetas, e acima de tudo, do Senhor Jesus, que disse: “Dai a César (os impostos, os tributos e as taxas) o que é de César e a Deus o que é Deus (os dízimos e as ofertas)” (Mt 22.21).98
Em sexto lugar, pecados graves quanto ao dízimo. Malaquias denuncia alguns pecados graves quanto ao dízimo que estavam sendo cometidos pelo povo
O primeiro pecado é reter o dízimo. “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas” (3.8). Joyce Baldwin diz que o verbo “roubar”, qaba, é raro no Antigo Testamento, mas bem conhecido na literatura talmúdica como “tomar à força”.99 O povo estava roubando a Deus: 1) trazendo ofertas indignas (1.13); 2) oprimindo os pobres (3.5); 3) retendo os dízimos (3.8). A palavra roubar, portanto, significa tomar à força, ou seja, é uma espécie de assalto intencional, planejado e ostensivo. A única vez que esse verbo aparece novamente é em Provérbios 22.23 para descrever o despojamento do pobre. Reter o dízimo santo ao Senhor é uma insensatez, pois ninguém pode roubar a Deus impunemente.
Tentar defraudar a Deus é defraudar a si mesmo,100 pois tudo que temos pertence a Deus: nossa vida, família e bens. Uma águia, buscando alimento para os filhos, arrancou com suas fortes garras a carne do altar do sacrifício. Voou para o ninho dos seus filhotes com o cardápio do dia, mas havia ainda na carne uma brasa acesa e esta incendiou o ninho dos seus filhotes, provocando um desastrado acidente. Não é seguro retermos o que é de Deus para o nosso sustento. Deus é o criador, provedor e protetor, por isso devemos depender Dele mais do que dos nossos próprios recursos. Nossa confiança precisa estar no provedor, mais do que na provisão. Nenhum homem jamais perdeu alguma coisa por servir a Deus de todo o coração, ou ganhou qualquer coisa, servindo a Ele com o coração dividido, diz Thomas V. Moore.101 Diante da sonegação dos dízimos, o Senhor lembra aos judeus que estavam, na realidade, roubando a si próprios, pois o resultado de tal atitude era o fracasso das colheitas.102
Dionísio Pape afirma que quem rouba a Deus não é capaz de amá-Lo.103 Na verdade, sonegar o dízimo é atuar com dolo e esta é uma maneira estranha de exprimir gratidão a Deus, diz Herbert Wolf.104 Reter o dízimo é colocar o salário num saco furado, diz o profeta Ageu (Ag 1.6). Jamais uma pessoa prosperará retendo o dízimo de Deus, pois a Bíblia diz que reter mais do que é justo é pura perda (Pv 11.24). Reter o dízimo é uma clara demonstração de amor ao dinheiro, e a Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1Tm 6.10). Reter o dízimo é desconfiar da providência divina, é um ato de incredulidade e infidelidade Àquele que nos dá a vida, a saúde, o sustento e a própria vida eterna. Reter o dízimo é roubar a Deus de forma ostensiva e abusiva. Reter o dízimo é desamparar a casa de Deus (Dt 26.14). Thomas V. Moore diz que se nós quisermos ter os tesouros de Deus abertos, devemos abrir os nossos próprios tesouros (3.10,11).105 Corações inteiros e mãos abertas abrem sobre nós as janelas dos céus e disponibilizam para nós os inesgotáveis recursos de Deus.
Malaquias fala não apenas do dízimo, mas também das ofertas. Eram as partes dos sacrifícios separados para os sacerdotes (Êx 29.27,28; Lv 7.32; Nm 5.9). Elas tinham também uma finalidade especial (Êx 25.2-7). Quando ninguém trazia ofertas, os levitas não tinham outra opção senão desistir do seu ministério e ganhar o seu sustento na agricultura, diz Baldwin.106
O segundo pecado é subtrair o dízimo. A Bíblia ordena: “Trazei TODOS os dízimos” (3.10). O dízimo é integral. Muitas pessoas pensam que podem enganar a Deus quando estão preenchendo o cheque do dízimo. Elas colocam um valor muito inferior ao que representa os 10% estabelecidos pelo Senhor. Pelo fato de enganarem a igreja, pensam que também enganam o Senhor da Igreja. Isso é um terrível engano. Deus não precisa de dinheiro, pois Dele é o ouro e a prata (Ag 2.8). Deus não precisava da árvore da ciência do bem e do mal no Jardim do Éden. Deus queria a fidelidade de Adão. Deus não precisava do sacrifício de Isaque, Ele queria a obediência de Abraão. Assim, também, Deus não precisa de dinheiro. Ele requer a fidelidade do Seu povo. Deus viu Ananias e Safira escondendo parte da oferta e os puniu por isso. Podemos nós enganar Àquele que tudo vê? O dízimo é sustento da Casa de Deus. Os levitas e os sacerdotes viviam dos dízimos. Os pobres eram amparados com os dízimos (Dt 14.28). Devemos trazer todos os dízimos à casa do Tesouro.
O terceiro pecado é administrar o dízimo. A Bíblia ensina: “Trazei todos os dízimos à CASA DO TESOURO” (3.10). Não temos o direito de mudar uma ordem do Senhor (Dt 12.11). Não podemos fazer o que bem entendemos com o que é de Deus. Não somos chamados a administrar o dízimo nem sermos juízes dele, mas a devolvê-lo ao seu legítimo dono. Deus mesmo já estabeleceu em Sua Palavra que o dízimo deve ser entregue em Sua Casa. Há pessoas que repartem o dízimo para várias causas: enviam 2% à uma igreja necessitada; remetem 3% para uma obra social; ajudam um missionário com mais 2% e depois, entregam 3% à igreja, onde freqüentam. Essa prática está errada. Não temos o direito de administrar o dízimo. Há pessoas, ainda, que freqüentam uma igreja e entregam todo o dízimo em outra. Isso é o mesmo que jantar num restaurante e pagar a conta em outro. Se quisermos ajudar uma causa, devemos fazê-lo com o que nos pertence e não com o dízimo do Senhor. Este deve ser trazido integralmente à casa do Tesouro. A casa do Tesouro era uma expressão que designava os celeiros ou armazéns, a tesouraria do templo, amplos salões em que se colocavam os dízimos (1Rs 7.51).107
O quarto pecado é subestimar o dízimo. Eles perguntavam: “Em que te roubamos?” (3.8). Eles pensavam que o dízimo era um assunto sem importância. Eles sonegavam o dízimo e julgavam que essa prática não os afetava espiritualmente. A nossa negligência e a dureza do nosso coração em reconhecermos o nosso pecado não atenuam a nossa situação. O que pensamos sobre uma situação não a altera aos olhos de Deus. A verdade de Deus é imutável, e isso não depende do que venhamos a pensar sobre ela. A geração de Malaquias não apenas sonegava o dízimo, mas não sentia por isso nenhuma culpa. Eles pecaram e ainda justificaram o seu pecado.
Em sétimo lugar, vejamos dois perigos sérios quanto à negligência do dízimo. O profeta Malaquias avisa solenemente acerca de dois graves perigos para aqueles que sonegam o dízimo e retêm em suas mãos o que é santo ao Senhor.
O primeiro perigo é a maldição divina. “Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós a nação toda” (Ml 3.9). A maldição chega a um terceiro nível no livro de Malaquias.
A primeira maldição foi imposta ao enganador que, tendo o melhor, dá o pior para Deus (1.14). A segunda maldição é endereçada aos sacerdotes que desonram a Deus (2.2), mas, agora, a terceira maldição é derramada sobre toda a nação que está roubando a Deus nos dízimos e ofertas (3.8,9). A desobediência sempre desemboca em maldição. Insurgir-se contra Deus e violar as Suas leis trazem maldição inevitável. Deus é santo e não premia a infidelidade. Ele vela pela Sua Palavra para a cumprir. Deus é fogo consumidor e terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. É tempo de a Igreja arrepender-se do seu pecado de infidelidade quanto ao dízimo. Sonegar o dízimo é desamparar a casa de Deus. Sonegar o dízimo é deixar de ser cooperador com Deus na implantação do Seu Reino. Precisamos nos voltar para Deus de todo o nosso coração, pois só assim traremos integralmente o que somos e temos para o altar.
O segundo perigo é a devastação do devorador. “Por vossa causa repreenderei o devorador” (3.11). O devorador pode ser tudo aquilo que subtrai nossos bens, que conspira contra o nosso orçamento e que mina as nossas finanças. Thomas V. Moore diz que “o devorador” aqui não deve ser entendido como qualquer tipo específico de destruidor, mas qualquer e todo tipo, racional ou irracional.108 O profeta Ageu alertou sobre as conseqüências da infidelidade, dizendo que é o mesmo que receber salário e colocá-lo num saco furado (Ag 1.6). Quando retemos fraudulentamente o que é de Deus, o devorador come o que deveríamos entregar no altar do Senhor.




94      MOORE, Thomas V. A commentary on Haggai and Malachi, p. 159.
95      TEIXEIRA, Ivonildo. Finanças com propósito. Belo Horizonte: Atos, 2003, p. 91.
96      TEIXEIRA, Ivonildo. Basta! mendigo no más, 2005, p. 28.
97      TEIXEIRA, Ivonildo. Finanças com propósito, p. 95.
98      TEIXEIRA, Ivonildo. Finanças com propósito, p. 94.
99      BALDWIN, Joyce G. Ageu, Zacarias e Malaquias, p. 206.
100      MOORE, Thomas V. A commentary on Haggai and Malachi, p. 162.
101      MOORE, Thomas V. A Commentary on Haggai and Malachi, p. 162.
102      Ellisen, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento, p. 347.
103      PAPE, Dionísio. Justiça e esperança para hoje, p. 136.
104      WOLF, Herbert. Ageu e Malaquias, p. 113.
105      MOORE, Thomas V. A commentary on Haggai and Malachi, p. 162.
106      BALDWIN, Joyce G. Ageu, Zacarias e Malaquias, p. 206-207.
107      WOLF, Herbert. Ageu e Malaquias, p. 114.
108      MOORE, Thomas V. A commentary on Haggai and Malachi, p. 161.

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