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segunda-feira, dezembro 14, 2015

REFLEXÕES FILOSÓFICAS


Os assuntos selecionados com certeza poderão lhe acrescentar muito conhecimento, caso queira discutir algum ponto, o que estiver ao meu alcance eu farei com muito amor.
"... E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus". (Rm. 12: 1(b).
Não se trata de fichamento do livro, “Cabeças feitas”, mas, são seleções de textos, ou seja  são cópias transcritas na integra para serem interagidas com o Professor e os Alunos do Curso de Filosofia da Educação.Mas também quero compartilhar com todos meus leitores deste assunto muito bom por este motivo desejo compartilhar com vocês.
De fato estamos vivendo num mundo sobrecarregado de informações científicas, tecnológicas a ponto de nos causar êxtase. Mas, em que parte deste mundo eu me sintonizo? Seria eu apenas um mero espectador do feito do outro eu, como eu participo com o outro eu? É impossível sermos idênticos, mas que parcela de contribuição eu tenho despendido para tornar o meu mundo e do outro eu melhor, mais dinâmico, mais didático. Porque não dizer mais filosófico; imbuído da Teologia sólida, prática e consistente, no âmbito cristão levando luz a uma filosofia puramente racional? Criamos, produzimos e elaboramos saberes, ou nos atemos somente no que é pragmático e nos contentamos com o empréstimo do saber do outro eu, sem nada compartilhar? Precisamos deixa um legado para as gerações futuras. Qual?                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Prof. Me. Expedito Darcy da Silva
Filosofia não é Inútil – P. 9,10.
P. 9 – § 2 – A verdade, no entanto, é que todos somos filósofos, pois temos todos uma maneira de entender a realidade que nos cerca. A diferença fundamental é que alguns são conscientes de que é impossível não ter uma visão de mundo, e estudam mais profundamente o assunto para melhor organizar os dados da realidade; outros, porém, formam uma visão da realidade não sistemática, inconscientes de seus próprios valores. Mas, todos são obrigados a desenvolver, ainda que inutilmente, uma teoria interpretativa da realidade. Foi por essa razão que o célebre filósofo e matemático francês Blaise Pascal disse: “Zombar da filosofia é, em verdade, filosofar”. É impossível fugir dessa realidade! É necessário um mínimo de reflexão filosófica para se pensar que a filosofia é inútil e ridicularizá-la!
P. 10 – § 2 – Para um mundo já imerso numa mentalidade pragmática como o nosso é pouco difícil entender a finalidade da pura reflexão filosófica.
P. 10. – § 2 – 2) – Adquirimos mais capacidade crítica para filtrar melhor o que nos é apresentado; não somos meros observadores do que vemos e ouvimos: Rejeitamos conscientemente aquilo que nos é aconselhável.
Isso significa que o estudo da filosofia nos dará mais defesa contra a manipulação de massas, fenômeno tão comum em nossos dias. “Quem faz sua cabeça”?Você sabe?
Filosofia, Ciência e Teologia – P. 11.
P. 11 – § 2 – A filosofia distingue-se também da Teologia. As duas utilizam-se da razão para abordar questões semelhantes, mas a Teologia parte da revelação bíblica e procura explicar a realidade a partir dos dados da revelação entendidos pela luz da razão.
A filosofia, por sua vez, parte unicamente dos dados da realidade e da instrumentalidade da razão para a explicação da realidade. Na verdade cada uma delas tem o seu lugar.
A Bíblia não foi escrita para revelar todas as coisas. Ela nos fala principalmente daquilo que Deus quis revelar sobre seu plano de redenção para a humanidade. Deus não revelou tudo sobre Si mesmo nem sobre o mundo criado, na Bíblia.
Se assim fosse, não haveria espaço nem para a pesquisa científica. Portanto, a verdade é que filosofia e Teologia se complementam.
A Questão da Metafísica e da Cosmologia – P.16,18.
P. 16 – § 1 – O termo metafísica significa literalmente “além da física”. Trata-se da disciplina da filosofia que “estuda as causas primeiras e os primeiros princípios”, sendo o cerne da preocupação filosófica clássica.
Aristóteles afirma que o objeto de investigação da metafísica é “o ser enquanto ser e as propriedades que necessariamente o acompanham”.
... O ser é a essência de algo; é a qualidade essencial de um ente sem a qual ele não pode *subsistir.
*Subsistir: Ser, existir. Existir na sua substância. Estar com vida, ou vigor. Conservar a sua força ou ação.
P. 18 – § 1 – Por fim, a verdade é que chegamos a um ponto onde ciência, filosofia e Teologia compartilham do assunto. Os cristãos, como Já dissera Agostinho no IV século, defendem a criação do mundo por Deus a partir do nada. Deus é o ser absoluto que comunica o seu ser ao mundo, fazendo com que do nada surja o mundo.
... sem esquecer, todavia que sobre esse assunto há questões pertinentes unicamente à ciência empírica, mas há aquelas que sempre ficarão de fora do âmbito da ciência.
A Questão Estética – P. 21, 22.
P. 21 – § 1 – O que é o belo? O que é uma arte? Que critérios são utilizados para determiná-los? Quem já entrou em um museu de arte com certeza já desconfiou da amplitude do critério de avaliação artística. Qual a finalidade de uma obra de arte? Que relacionamento deve ter com a ética?
P. 22 – § 2 – A primeira teoria da arte é a *mimética, arte como imitação. Platão foi o pioneiro dessa perspectiva. A natureza é uma imitação das ideias, a arte uma imitação da natureza. A arte deve imitar a Beleza.
Aristóteles seguiu a hipótese mimética, mas entendia que o belo apelava para a capacidade cognitiva do homem, despertando-lhe prazer. Segundo ele, a ordem, a simetria e a determinação estabelecem a beleza de uma obra de arte.
*Mimética: As obras de artes são miméticas por que são copiadas de algum lugar, nem que seja da sua cabeça.
P. 22 – § 3 – A arte também é vista como uma expressão do homem, seus sentimentos, suas fantasias. É parte integral da manifestação das capacidades não racionais do homem. Kant, por exemplo, via na arte uma captação do universal. Exprimindo-se no particular; é a expressão do *númeno no fenômeno. O prazer estético produz profunda harmonia entre as faculdades opostas dos sentidos e do intelecto.
Segundo os filósofos clássicos, gregos e cristãos medievais, a arte tem uma finalidade pedagógica. A arte deve favorecer a educação. Por esse motivo Platão condenou a arte teatral, pois afirmava que esta despertava as baixas paixões do homem. Ele ainda defendia o uso da música como arte que deve ser cultivada, pois educa e produz harmonia na alma.
*Númeno: é um objeto ou evento postulado que é conhecido sem a ajuda dos sentidos. Na filosofia antiga, a esfera do númeno é a realidade superior conhecida pela mente filosófica.
No entanto, este termo é mais bem conhecido da filosofia de Immanuel Kant.


Kant diz que o sujeito pode conhecer a priori unicamente os fenômenos, mas não as coisas em si, ou seja, em linguagem kantiana, os noumenos.
O centro da argumentação é o seguinte: uma coisa é a realidade tal como ela é, e outra coisa é a maneira como essa mesma realidade aparece diante de mim enquanto sujeito do conhecimento.
A realidade, tal como ela é, em sua essência (noumeno) é incognoscível, ou seja, não podemos conhecê-la. Contudo, eu posso conhecer o modo como ela me aparece (fenômeno), posto que o modo de seu aparecimento não dependerá só dela, mas de mim também.
Portanto, jamais conhecemos as coisas em si (noumeno), mas somente tal como elas nos aparecem (fenômenos).
                                                                                                                                                                   A Questão Religiosa – P. 23-24.

P. 23 – § 1 – Nunca foi encontrado um só povo em toda a história humana que não tenha desenvolvido algum tipo de religião. Por mais que durante os últimos dois séculos a religiosidade humana tenha sido considerada uma *neurose, fruto da ignorância, etc.
... A condição de criatura do homem leva-o naturalmente em direção ao sentimento religioso.
*Neurose: A pessoa que é muito nervosa e fica pensando em um monte de coisas em fração de segundos... Acaba se tornando neurótico!
A pessoa com neurose está nervosa, fala muitas besteiras, coisas que não têm nada a ver.
P. 24 – § 2 – Karl Heinrich Marx definiu a religião como *ópio do povo. Para ele, o fenômeno religioso era uma arma dos opressores, útil para a manipulação das classes dominadas, o que sem dúvida aconteceu várias vezes na história, embora isso não signifique que possamos explicar o fenômeno religioso apenas por esse fator.
*Ópio: É uma droga, que foi muito famosa na China, e divulgada em filmes sobre esse país, como sendo antigamente usada por esse povo, para esquecer os problemas.
Friedrich Nietzsche, filho e neto de pastores, entendeu que a religião era uma defesa dos fracos contra os fortes; seu ódio pelo cristianismo se expressava na crítica de que a fé cristã, conforme Nietzsche elogia o pobre, o humilde, o necessitado e destina o rico e poderoso à condenação; a religião era, portanto, uma arma ideológica dos miseráveis e inferiores contra os aristocratas e superiores.
O filósofo e pastor Luterano Søren Aabye Kierkegaard não aceitava restringir a religião à *lógica, rejeitando o *idealismo de Hegel.
*Lógica. É a organização coerente e estruturada do pensamento, é o raciocínio ordenado; a capacidade de relacionar as ideias de forma consciente e encadeada do que se desejar expor, expressar com palavras ou não; a capacidade racional e clara de expressar as ideias ou algo de forma que se compreenda sem dar vazão à ambiguidade. Raciocínio lógico; a harmonia entre o pensamento e a ação.
*Idealismo: Atitude que consiste em subordinar o pensamento e a ação a um ideal.
Kierkegaard definia o estágio superior de um ser humano como o estágio religioso.
... O homem crê em Deus não pela razão, mas apesar dela. Defendia uma fé subjetiva e apaixonada.
 ...  Conforme o filósofo dinamarquês, a sensação da infinita distância *qualitativa entre Deus e o homem, dá-nos um senso de pequenez e humilhação, curvando-nos até a prostração e a adoração.
*Qualitativa: Que designa qualidade, qualificação.
 Pluralismo – P. 41,42.
P. 41 – § 1 – Em vez de vivermos numa sociedade que apresente um quadro ideológico homogêneo, como por exemplo, na Idade Média, nós nos encontramos num contexto social onde convivemos com uma enorme diversidade de perspectivas filosóficas e religiosas.
... De certa forma, tanta diversidade pode induzir o homem comum a um relativismo: se há tantas ideias diferentes, é provável que todas elas tenham o seu valor e o seu lugar.
Esse tipo de pensamento acaba fortalecendo o ponto de vista de que cada um tem a sua verdade, e que, portanto, ninguém tem o direito de dizer aos outros, o que fazer ou como pensar em questões de ética e posicionamento filosófico.
... Em nome da liberdade, alguns pretendem defender certas ideologias que comprometem até a própria continuidade da comunidade onde vivem (como a legalização das drogas).
... De fato a questão não é tão simples, pois a repressão da liberdade gera autoritarismo e favorece a exploração “oficializada” dos mais fracos.
... Há aqui uma tensão entre liberdade e segurança social. Nossa sociedade está desequilibrada.
 ... Os jovens que crescem nesse contexto tendem a não ter sonhos; mostram-se apáticos, sem direção. O resultado é uma busca frenética por alguma coisa que dê algum sentido para a vida
P. 42 – § 1 – Todavia, essa tendência pluralista que produz um senso de identificação, levando o homem comum a procurar alguma resposta que o satisfaça, acaba sendo uma brecha para o testemunho cristão. Nesse “pluralismo democrático” abre-se espaço para que se ouça também o cristianismo.
 ... No passado, a supressão da liberdade foi um grande problema para os cristãos. 
... A verdade, porém, é que hoje corremos o risco da indiferença dos próprios cristãos imersos na cultura mundana, perigo ainda maior.
Irracionalismo – P. 42,43.
P. 42 – § 1 – Em meio à grande variedade de ideias da sociedade contemporânea, o homem de hoje tem demonstrado um comportamento *paradoxal cada vez mais está equipado com as últimas novidades da ciência e vale-se da razão para lidar com a vida “prática”.
*Paradoxal: Que é contrario á opinião comum, algo que entra em contradição.
P. 43 – § 1 – Desde o sucesso das obras de *Alvin Toffler discute-se muito a nova era de informação em que vivemos. Estamos na *égide do computador, numa sofisticação tecnológica jamais experimentada antes. Todavia, surpreendentemente, quando o homem se volta para a interpretação da vida, da ética, de sua expressão religiosa, a tendência generalizada é rejeitar o uso da razão.
*égide: Gr. aigis = escudo. Significa amparo; defesa; proteção.
... Vivemos numa época do elogio da paixão, do improviso, do espontâneo. Refletir muito não é atraente e, como é *senso comum, não leva a nada.
*Senso comum: Refere-se à maneira do modo de pensar da maioria das pessoas, com conhecimentos a partir da experiência, vivência e observação.
**Senso crítico: Significa a capacidade de questionar e analisar de forma racional e inteligente.
Biografia: *Alvin Toffler é um escritor e futurista norte-americano doutorado em Letras, Leis e Ciência, conhecido pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das comunicações e a singularidade tecnológica.
Nascimento: 4 de Outubro de 1928 (87 anos).
Ocupação: Escritor.

                                                                               Frases – http://kdfrases.com/autor/alvin-toffler
*Alienação Erótica – P. 45,46.
*Alienação: É quando uma pessoa age sem saber das coisas. É uma pessoa que vive e faz sua parte, mas não se importa e não sabe o que acontece a seu redor.
P. 45 – § 1 – Desde Freud, os psicanalistas têm demonstrado de modo erudito o conhecimento da *libido. Energia através da qual o instinto sexual se expressa.
... De fato, a observação simples vai comprovar que a maioria das pessoas age mais em conformidade com seus impulsos e desejos do que por princípios ou pela razão. Isso já acontece em pessoas que têm uma estrutura psicológica razoavelmente equilibrada. Qual será o poder das forças irracionais de nosso íntimo naqueles que têm alguma defasagem psicoemocional?
... Indivíduos inescrupulosos perceberam a sexualidade humana como grande fonte de exploração lucrativa.
Em vez de permitir o amadurecimento normal da sexualidade junto com o senso de responsabilidade, procura-se instigar o elemento erótico logo cedo nas crianças e nos adolescentes.
... O sexo pode-se tornar perigoso, em vez de ser uma fonte de satisfação, vira um pesadelo. Hoje já é conhecida a realidade dos dependentes do sexo que buscam tratamento psicológico.
Não há dúvida que vamos encontrar os “gênios” da “liberdade” argumentando que o sexo deve ser usado indiscriminadamente por ser uma coisa natural.
 P. 46 – § 1 – Ninguém pode negar que o poder de manipulação erótica é tremendo. Ela torna uma sociedade fraca, passiva e sem força de reação. O ser humano volta-se apenas para si mesmo, torna-se *narcisista e mesquinho.
*Narcisista: Pessoa que tem propensão ao narcisismo, que nutre amor excessivo a si mesmo, a sua imagem.
Há vinte anos jovens lutavam por ideais sociais (talvez questionáveis); hoje lutam para legalizar a maconha, o homossexualismo etc. Com tantas mazelas no mundo em que vivemos grande parte da juventude gasta seu tempo “preparando o corpo” para o verão, discutindo com quem a “fulana” da novela vai ficar curtindo um “ídolo” que é “o maior barato”.
Enquanto isso, o tempo de semear vai passando e a vida se vai.
A formação da sociedade futura, o valor da família, a dignidade humana e a realização psicológica e espiritual de alguém estão profundamente relacionadas com a *sexualidade.
*Sexualidade: É o impulso natural a todo ser vivo, que nos impulsiona na busca de um parceiro, visando à troca de energias sexuais.
Individualismo – P. 47.
P. 47 – § 1 – Num mundo de influência existencialista e capitalista, o homem é cada vez mais visto como indivíduo isolado. A ênfase está na liberdade individual. "Eu me amo, não posso mais viver sem mim", é o novo slogan. A maioria dos filmes defende a afirmação do indivíduo contra a força do grupo.
 Sem dúvida, isso tem seu aspecto positivo; mas temos visto também um fator de desagregação da sociedade. O individualismo cria uma ilusão de dependência, gerando egoísmo e insensibilidade.
P. 47 – § 2 – A grande preocupação é que o individualismo já chegou às igrejas. Suas marcas como inimizades nas famílias, separações conjugais, divórcios, etc., já estão presentes nos arraiais evangélicos.
... A igreja oferece seus produtos: pregação, visitação, coral, comunhão, etc. O indivíduo analisa, vê qual oferece mais "vantagens" e escolhe.
O grande perigo que se vê nesse tipo de movimento é o enfraquecimento da mentalidade de servo, daquele que faz parte do corpo.
Postura de Vida e Atitude Sábia – P. 53.
P. 53 – § 1 – Temos que adotar uma "filosofia" cristã, ou seja, que postura ter como cristão em nossa vida.
... Preciso escolher qual será a razão de minha vida. Se quero usar meus talentos para o Reino de Deus, preciso começar a agir hoje, pois a morte aguarda-me!  Se sigo a postura mundana de gastar a vida "se divertindo", ficando rico, buscando fama, não sou digno do nome de cristão.
... Outro aspecto a ser considerado é o "como" fazer. Precisamos de uma otimização de ação, uma atitude sábia para o tempo presente, antes que passe a nossa geração. Aqui entra a importância de fazer tudo para Deus bem feito e como muita criatividade.
... algumas coisas que certas pessoas fazem para Deus, nem o diabo aceitaria.
Hoje precisamos de gente de alto nível, capacitada, que use seus dons para que a real mensagem de Deus faça diferença em nossos dias.
P. 53 – § 4 – 1) Vamos investir no intelecto (abaixo a mediocridade).
2) Saibamos ler e entender a nossa época para escaparmos do esquema do mundo e para melhor comunicar a fé.
3) Precisamos agir com qualidade e criatividade para sermos de fato "sal da terra e luz do mundo".
"Que o Senhor Jesus, em quem estão todos os tesouros da sabedoria, nos abençoe e nos ajude".


Recomendo este livro para quem quiser expandir seus conhecimentos, e melhorar seu intelecto.
BIBLIOGRAFIA

SAYÃO, Luiz Alberto Teixeira. Cabeças Feitas – Filosofia prática para cristãos. 2 ed – Grupo Interdisciplinar Cristão. 1998. 

quinta-feira, novembro 19, 2015

VISÃO HISTÓRICA DO TRABALHO

A concepção de trabalho sempre esteve predominantemente ligada a uma visão negativa. Na Bíblia, Adão e Eva vivem felizes até que o pecado provoca sua expulsão do Paraíso e a condenação ao trabalho com o "suor do seu rosto". A Eva coube também o "trabalho" do parto.
A etimologia da palavra trabalho vem do vocábulo latino tripaliare, do substantivo tripalium, aparelho de tortura formado por três paus, ao qual eram atados os condenados, e que também servia para manter presos os animais difíceis de ferrar. Daí a associação do trabalho com tortura, sofrimento, pena, labuta.
Na Antiguidade grega, todo trabalho manual é desvalorizado por ser feito por escravos, enquanto a atividade teórica, considerada a mais digna do homem, representa a essência fundamental de todo ser racional. Para Platão, por exemplo, a finalidade dos homens livres é justamente a "contemplação das ideias".
Também na Roma escravagista o trabalho era desvalorizado. É significativo o fato de a palavra negocium indicar a negação do ócio: ao enfatizar o trabalho como "ausência de lazer", distingue-se o ócio como prerrogativa dos homens livres.
Na Idade Média, Santo Tomás de Aquino procura reabilitar o trabalho manual, dizendo que todos os trabalhos se equivalem, mas, na verdade, a própria construção teórica de seu pensamento, calcada na visão grega, tende a valorizar a atividade contemplativa. Muitos textos medievais consideram a ars mechanica (arte mecânica) uma ars inferior.
Tanto na Antiguidade como na Idade Média, essa atitude resulta na impossibilidade de a ciência se desligar da filosofia.
Na Idade Moderna, a situação começa a se alterar: o crescente interesse pelas artes mecânicas e pelo trabalho em geral justifica-se pela ascensão dos burgueses, vindos de segmentos dos antigos servos que compravam sua liberdade e dedicavam-se ao comércio, e que, portanto tinham outra concepção a respeito do trabalho.
A burguesia nascente procura novos mercados e há necessidade de estimular as navegações; no século XV os grandes empreendimentos marítimos culminam com a descoberta do novo caminho para as Índias e das terras do Novo Mundo. A preocupação de dominar o tempo e o espaço faz com que sejam aprimorados os relógios e a bússola.
Com o aperfeiçoamento da tinta e do papel e a descoberta dos tipos móveis, Gutenberg inventa a imprensa.
No século XVII, Pascal inventa a primeira máquina de calcular; Torricelli constrói o barômetro; aparece o tear mecânico.
Galileu, ao valorizar a técnica, inaugura o método das ciências da natureza, fazendo nascer duas novas ciências, a física e a astronomia.
A máquina exerce tal fascínio sobre a mentalidade do homem moderno que Descartes explica o comportamento dos animais como se fossem máquinas, e vale-se do mecanismo do relógio para explicar o modelo característico do universo (Deus seria o grande relojoeiro!).

*Ócio
Descanso do trabalho; folga, repouso.
Tempo que se passa desocupado; vagar, quietação, lazer, ociosidade.
Falta de trabalho; desocupação, inação, ociosidade.
Preguiça, indolência, moleza, mandriice, ociosidade.
Trabalho mental ou ocupação suave, agradável

sábado, novembro 07, 2015

ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Introdução
O campo da interpretação bíblica sofreu grandes mudanças durante o século XX, devido às obras de Karl Barth e Rudolf Bultmann e também de outros autores, essas mudanças assinalaram uma reação ao método histórico-crítico que floresceu no século XIX. O surgimento da chamada Nova Crítica deslocou a atenção para o entendimento de que os textos literários tem significado em si mesmos, independentes da intenção original do autor.
Além disso, a ênfase no papel do leitor tem um forte elemento de subjetividade no trabalho de interpretação. Não devemos identificar o significado do texto total e exclusivamente como o autor pretendeu comunicar, é um erro dispensar o conceito da intenção autorial ou mesmo relegá-lo a uma posição secundária.
I. Bultmann e a questão objetividade/preconceitos na interpretação.
Rudolf Bultmann (1884 – 1976), Bultmann tinha uma grande preocupação com a questão da relevância do cristianismo. Ele sempre acreditou que a objetividade (adequadamente compreendida) é a meta do exegeta. O tipo de objetividade neutra que os estudiosos antigos haviam almejado não existe.  Sua ênfase era que todos nós trazemos uma cosmovisão ao texto e que suprimir tal cosmovisão está fora de questão. Pode-se argumentar que um compromisso cristão genuíno deve ser compatível com a fé daqueles que a revelação chegou até nós.
II. O método histórico-crítico.
Muitos estudiosos da Bíblia, inclusive importantes eruditos, tem rejeitado esse método com base no fato de que ele é inconcebível com o caráter divino da Escritura. O rótulo histórico - crítico não é usado por todos exatamente com o mesmo sentido. Os estudiosos que rejeitam o método – normalmente chamados de conservadores ou evangélicos – certamente não fazem objeção a uma leitura histórica da Bíblia. Interpretar a Bíblia historicamente significava que continha contradições. Em resumo, concordar que a Bíblia não era totalmente confiável tornou-se um dos princípios operacionais do “método histórico - crítico”.
III. A autonomia do texto.
Apenas um pouco de reflexão nos permite compreender que determinar o sentido do texto não é uma tarefa simples. Esse texto, por assim dizer, tem uma vida própria. Está sujeito de ser compreendido de maneiras diferentes daquela intencionada pelo autor. Um dos elementos mais controvertido dessa ênfase moderna na autonomia do texto tem sido a tendência de minimizar as referências extraliterárias, especialmente históricas, das obras literárias.  A ênfase na autonomia do texto significa que o texto é separado não somente do seu autor, mas também da realidade extralinguística à qual o texto aparentemente se refere.
IV. O papel do autor.
Dada a natureza finita de todo interprete humano, nenhuma explicação irá justificar os dados exaustivamente. Alguns pensadores irão argumentar que, no caso da interpretação literária, nós precisamos ir além. No entanto, para os proponentes da “teoria da resposta do leitor” – pelo menos em suas formas mais extremas – não existe um texto objetivo. Sem dúvida, as atuais ênfases no papel do leitor cobrem uma grande variedade de abordagens. Quer gostemos ou não, os leitores podem criar – e com frequência criam – significados extraídos dos textos que leem.
V. Intenção autoral.
Indubitavelmente, existe certa legitimidade em afirmar que o sentido de um texto não pode ser identificado com a intenção do autor de um modo exclusivo e absoluto. Em suma, a minha própria posição, tanto por razões literárias quanto teológicas, é que o sentido da passagem bíblica não precisa estar identificado totalmente com a intenção do autor. Quaisquer que sejam as características literárias e artísticas que venhamos a encontrar na Escritura, o seu propósito principal é comunicar uma mensagem inteligível que requer uma resposta.
Conclusão.
As teorias contemporâneas de sentido e de interpretação não somente podem causar perplexidade; elas também podem gerar uma angustia pessoal com relação à incerteza da experiência humana. De fato, a habilidade de homens e mulheres falarem parece estar intimamente relacionada com o fato de terem sido criados à imagem de Deus, que fez o mundo ao pronunciar a palavra de ordem: “haja...” A realidade e a eficácia da comunicação humana é um reflexo do próprio falar de Deus.
Bibliografia

WALTER, C. Kaiser E SILVA, Moisés, Na Introduction to Biblical Hermeneutics: The Search for Meaning (Grand Rapids: Zondervan, 1994), PP.228-248.

segunda-feira, outubro 26, 2015

ESTILO DO PREGADOR PENTECOSTAL

Outro detalhe importante a ser considerado no conceito da igreja pentecostal é o estilo do pregador e o seu comportamento durante a pregação.
A palavra estilo entre outras coisas está relacionada com o comportamento, não há regras, mas cada um se expressa com seu próprio estilo, portanto, estilo é algo singular na vida de cada pessoa.
 “Estilo vem do latim “stylus”, que era o nome da lapiseira de ferro com que os romanos escreviam em seus tabletes de cera. O estilo é a forma de alguém expressar o que tem, seja por escrito, seja oralmente”. (DANTAS, 1995, p. 121).
O conceito de estilo não está relacionado somente com a parte espiritual, outros segmentos da sociedade também exercem seus próprios estilos. “O estilo do pregador é percebido pela autoridade espiritual que se manifesta em suas pregações, a fim de que o sermão não seja mera exibição retórica. O princípio de autoridade que rege o pregador reside na sua submissão à Palavra de Deus”.  “O Estilo é a maneira de o pregador expressar no sermão o seu pensamento. Cada pregador tem características próprias e deve preservá-las, para que, no púlpito, sua autenticidade não seja apagada”. Mas, convém lembrar que, “a forma de expressão constitui o meio de comunicação entre o pregador e seus ouvintes”. (CABRAL, 1981, p. 21, 40).
Moen fala da influência de alguns nomes importantes na história que, de certo modo tem influenciado o estilo de muitos pregadores entre eles alguns pentecostais:
Antes de mencionar alguns estilos usados na pregação pentecostal, noto que a leitura é requisito prévio para a pregação! A leitura de um só livro bom, que contenha bons conselhos e bons princípios, já é suficiente para fazer da vida um sucesso. Muitos jovens deram início a uma carreira de honra e produtividade ao lerem um bom livro. Um clérigo inglês declarou que Shakespeare e a Bíblia tinham-no feito arcebispo. John Wesley afirmou que os livros Imitation of Christ (Imitação de Cristo), de Thomas A. Kempis, e Holy Living and Dying (Vida e Morte Santas), de Jeremy  Taylor, determinaram sua vocação e caráter. Henry Martyn foi feito missionário ao ler a vida de David Brinard e a de William Carey. Alexander Pope deve sua inspiração poética a Homero. Goethe tornou-se poeta em consequência da leitura de The Vicar of Wakefield (O Vigário de Wakefield), de Goldsmith. Carey foi motivado ao ministério ao ler as Viagens do Capitão Cook. A vida de George Washington e a de Henry Clay despertaram a aspiração na alma de Lincoln, que o levou ao sucesso. Os signatários da Declaração da Independência dos Estados Unidos eram homens de persuasões literárias. Na infância, tinham alimentado a mente com a Bíblia, o Pilgrim’s Progress (O Peregrino) e Josefo. Ler faz pensar. A leitura nutre a arte do pensamento. Patrick Henry tinha sede de conhecimento, e descobriu um modo de satisfazer o desejo de ler. O mesmo é verdade para com o pregador. Ele tem de ler para estar alerta. Gerará pensamentos. (TRASK, 1999, p. 643 apud MOEN).
O estilo pentecostal traz uma questão diferente do ponto de vista de quem o observa, seu estilo em relação às virtudes cristãs, são de cunho enérgico, ou seja, são radicais em costumes comportamentais, de certa forma as vestes, barba, cabelos, joias, anéis só de formatura e outros tipos de adornos também, dependendo dos adornos podem ser vistos como pecados. O pregador pentecostal tem um estilo sem base homilética, seu comportamento no púlpito e ao microfone demonstram o seu despreparo para ocupar o mesmo. Sem discriminação, mas para os pregadores pentecostais o que vale é a unção na hora da pregação, às vezes o que era para ser unção passa a ser pura emoção. Não há limites para suas inovações e os chavões são inevitáveis. “Os pentecostais pregam uma fé antimodernista, pois reconhecem que os mais importantes poderes disponibilizados sobre nossas vidas repousam não em nossas mãos, mas nas de Deus, escreveu o professor Chris Armstrong”. (STEFANO, 2007, p. 53).
O estilo de Calvino era brando e ao mesmo tempo comprometedor sem causar nenhum impacto agressivo aos seus ouvintes. Atentemos para as palavras apaixonadas de Calvino. “Quem quer falar retamente, de acordo com Deus, tem que ter os olhos fechados quanto à complacência dos homens. Se distrairmos olhando as criaturas a ponto de não poder falar com a devida liberdade, não estamos desonrando a Deus”? (COSTA, 2006, p. 226 apud CALVINO).
O estilo do pregador pentecostal lembra um pregador exaltado, disciplinador, às vezes um pouco arrogante, agressivo, acostumado a apontar o dedo em riste exortando a igreja com voz enérgica, parecendo mal educado ao se dirigir os seus ouvintes, tudo isso é questão de cultura bíblica e secular e também, muita falta de educação homilética. Salvo as exceções, mas, torna-se raridade termos bons pregadores com seus estilos próprios. 

quarta-feira, setembro 30, 2015

DEDICAÇÃO PASTORAL AO ENSINO

Independente de tudo, antes de tudo, o pastor precisa ter alguns recursos indispensáveis.
É ele quem pronuncia as verdades do Evangelho, para conduzir o rebanho de Deus, conforme a Sua vontade. Se o pastor não puder frequentar uma academia teológica, mas, ele precisa ser um autodidata, para alimentar o rebanho com a Palavra de Deus.
A preocupação de Paulo com Timóteo era que ele deveria ser diligente na Palavra.
Persiste em ler
A expressão correspondente a “persistir em”, no original grego, pode também ser traduzida por “preocupa-te com”, “aplica-te a”, ou “dedica-te a”. Qualquer destes sentidos demonstra que é dever do pastor dedicar-se ou aplicar-se à leitura.
A Bíblia na mão do pastor, não deve somente estar em suas mãos, mas principalmente em seu coração. É seu dever ser diligente ao estudá-la (IITm. 2: 15), trazendo a memória as coisas estudadas, como para gozar de novo a sua doçura, pois enriquece a compreensão das lições (ITm. 4:13,15). A Bíblia é de vital importância ao rebanho sobre o qual Deus o constituiu bispo (At. 20: 28).
O pastor que não se atualiza, de forma alguma poderá defender o seu rebanho e contar os perniciosos ensinamentos heréticos que surgem a todo o momento.
Persistir em exortar
“O verbo exortar, na língua grega, deriva-se do substantivo Paracleto, que é o título atribuído por Jesus ao Espírito Santo, e significa principalmente, o Consolador”. Não podemos confundir que a exortação deva ser somente aplicada com palavras duras. Todavia, nada mais é do que persuadir com a verdade, avisar quanto ao perigo iminente, e admoestar com a sã doutrina.
Aplicar-se ao ensino
Não é possível haver aprendizado sem haver aprendizado. (Jo. 14:26). O ensino da doutrina é uma das responsabilidades mais importantes do pastor, “pois ela é o alimento de que se nutrem as ovelhas” (Sl. 23:2,5).
O mestre que se preza é aquele que estuda minuciosamente a lição antes de aplicá-la à sua classe, demonstrando amplo domínio sobre o assunto, como se conhecesse o autor do livro texto. 
O apóstolo Paulo era um pastor que se preocupava com os líderes das igrejas, ele nunca deixava de instruí-los, para que o rebanho do Senhor fosse bem conduzido, de acordo com as sãs palavras das Sagradas Escrituras. Ele escrevendo a Timóteo diz: 1.Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. 2. E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. Essa recomendação do apóstolo demonstra o cuidado dele para com Timóteo e com os seus ouvintes. Timóteo deveria confiar seus ensinamentos a homens fiéis e responsáveis para poderem ensinar os outros.
Assim deve ser a vida do pastor que se preocupa com o seu rebanho, em ensiná-lo e também deve cuidar do seu corpo ministerial, para que sejam homens sábios para também ensinar os outros.
                                                       

segunda-feira, setembro 21, 2015

IMPROVISAÇÃO NAS PRÁTICAS KERIGMÁTICAS UM FENÔMENO PENTECOSTAL

Um dos objetivos principais dessa pesquisa é a questão da improvisação no Kerígma da Palavra de Deus, na Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério de São Bernardo do Campo, São Paulo. Essa Igreja é integrante do movimento Pentecostal Clássico. Nessa conceituada Igreja, a improvisação tornou-se um fenômeno pentecostal de grandes proporções, digamos que uma quantidade espantosa desse tipo de pregação improvisada tem ocorrido com muita frequência nos púlpitos pentecostais tornando-se um fenômeno negativo para uma Igreja tão nobre.
Há quem diga que a Igreja Assembleia de Deus era a Igreja da Palavra, mas não era bem assim. Por exemplo, o primeiro Seminário o IBAD foi oficializado em 1958, há quarenta e oito anos após a sua fundação.
Em São Bernardo do Campo, São Paulo a Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério de São Bernardo do Campo foi em 1992, há quarenta e oito anos após o início dos seus trabalhos fundaram IBENE. 
Esse pode ser um dos fatores que contribuíram para esse quadro que estamos vivendo hoje em relação à genuína pregação bíblica. Hoje é visível a distância da liderança dos Seminários teológicos, o que se nota é que os membros estão crescendo com a Teologia para melhorar o ensino na Escola Bíblica Dominical e melhorar a pregação também. E a liderança?
Conforme havíamos dito, Trask (1999, p. 87) comenta a respeito de alguém levar visitantes para participar do culto em sua igreja, “ninguém seria surpreendido com um sermão despreparado e desconexo. Muitas vezes, nos círculos pentecostais, quase veneramos a imprevisibilidade”. Os sermões improvisados deixam a desejar por não terem estruturas bíblicas, salvo a leitura do texto. Tudo é realizado na hora. Também se levarmos em conta as práticas Kerigmáticas podemos observar o alto índice de improvisação no desenrolar do culto pentecostal, se bem que não temos uma liturgia formal, o que contribui para esse fato.
Há uma infinidade de tipos de sermões, cada uma tem seu objetivo, e o seu alvo principal é a edificação da igreja pela proclamação da Palavra de Deus. Quanto ao sermão de improviso não há nenhum benefício nele, a não ser muito barulho e pouquíssimo conteúdo.
Esse assunto sobre a pregação de improviso não foi escolhido aleatoriamente, mas o momento inspira cuidados quanto às mensagens que estão invadindo nossas igrejas, tanto as mensagens pentecostais improvisadas, como qualquer tipo de pregação. Na maioria das vezes essas pregações são puro sensacionalismo voltado às emoções distantes da reflexão teológica.
Em alguns casos esses pregadores estão visando somente benefícios próprios dentro de um mercantilismo almejando poder e dinheiro. Vestem-se com máscaras de piedade. Infelizmente esse fenômeno tem sido praticado por alguns pregadores pentecostais sem a mínima preparação para pregar o Evangelho de Cristo. Alguns saem por ai como missionários pregando nas igrejas, Congressos, Seminários, Eventos, Campanhas e Shows de todos os tipos só para crentes. Pregam seus sermões improvisados cheios de emoções e ainda são bem pagos. Ao invés de ir atrás dos inconversos abarrotam os púlpitos para serem vistos pelo povo esperando uma nova oportunidade. E assim a igreja caminha debaixo dos grandes sermões, porém, improvisados e as emoções superam a reflexão e Cristo encontra-se muito distante.
Enquanto a Igreja pentecostal não se conscientizar e começar usar a reflexão sobre o que de fato estão ouvindo como mensagem cristã. Infelizmente será pior para a Igreja passar pelas mãos desses mercenários, que estão invadindo nossos púlpitos pentecostais com suas mensagens improvisadas destituídas de Cristo. Como a Igreja pentecostal preza por movimentos barulhentos e agitados, esses pregadores encontram abrigo seguro entre as ovelhas humildes, mas sem discernimentos, no que se refere à verdadeira pregação bíblica. (Extraído da Dissertação de Mestrado Prof. Me. Expedito Darcy da Silva)

quinta-feira, setembro 10, 2015

FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

EM BUSCA DE UMA FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ PARA ENSINAR COM SABEDORIA
A filosofia da educação cristã lida com questões relacionadas a projetar uma estratégia educacional coesa baseado em pressupostos cristãos que efetivamente ajudam as pessoas dentro de um determinado contexto cultural a se tornarem mais parecidas com Jesus Cristo. Embora a tendência na educação cristã parece ser ou de fazer do jeito que sempre foi feito, ou fazê-lo de qualquer maneira que funcione, estas duas opções não podem ser sábias. A disciplina de filosofia pode acrescentar sabedoria para a prática da educação cristã. A palavra "filosofia" significa "amor à sabedoria." Paulo, resumindo, em seu propósito de vida, afirma o seu compromisso de educar com sabedoria na seguinte passagem: "a quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo" (Colossenses 1:28). 
A fim de ensinar com sabedoria, os educadores cristãos devem basear seus métodos em bem pensados pressupostos filosóficos.
Filosofia não é nem opcional nem acadêmico. Pelo contrário, ela é natural e essencial para a educação cristã. Um fato importante, muitas vezes nos escapa como educadores: Todo mundo tem uma filosofia de educação. Se estivermos conscientes de sua presença, a filosofia é a companheira sempre presente do educador. Filosofia fornece os pressupostos e fundamentos da teoria, política e prática educacional. Quando os professores são convidados a explicar o "por que" de uma determinada ação ou método de ensino usado na sala de aula, eles começam a acessar o centro filosófico do seu paradigma educacional. 
Madalena Molochenco assinala a necessidade de uma fundamentação teórica: “A maneira como desenvolvemos a educação cristã hoje traz consigo uma teoria de aprendizagem implícita. Entretanto, ela não nos tem sido apresentada como teoria, mas sim como modo de fazer. Como educadores, o que sempre fazemos é executar e ensinar outros a executarem. Lemos bons manuais que contem informações preciosas. Fomos ensinados apenas a executar, sem pensar muito no por que. Na verdade, não sabemos identificar quais são os princípios da aprendizagem que estão presentes no modelo apresentado". Molochenco sinaliza com os fundamentos teóricos de Piaget “Os autores em geral concordam que a teoria de Piaget é uma das bases do ideal da construção do conhecimento... (p.53). Os fundamentos de Piaget trazem aos educadores cristãos muitas contribuições na área da psicologia educacional e do estudo da construção do conhecimento.. (p.59)”
Olga Nogueira, outra educadora cristã,  critica essa maneira de fazer educação cristã do jeito que sempre foi feita: "o trabalho educativo da igreja ou de alguma área, provoca uma grande ansiedade que faz com que alguns educadores se tornem pragmáticos. Só se considera válido o conhecimento que se possa colocar em prática e de preferência, imediatamente”. Olga também sinaliza para uma fundamentação teórica: "Na década de noventa a discussão girou em torno de mudança de paradigmas, pós-modernidade, globalização, etc”. O mundo estava mudando rapidamente e a igreja precisava estar preparada para se posicionar frente aos novos desafios. Nenhum manual poderia responder a complexidade da igreja no século XXI e muitos desses educadores formados se sentiram despreparados. A maioria não aprendeu a pesquisar, refletir e elaborar projetos para responder a realidade local.
Neste tempo de muitas mudanças, o currículo se tornou um grande desafio para muitas igrejas que decidiram selecionar a própria literatura. Hoje muitos pastores e educadores reconhecem que para elaborar o currículo, é preciso identificar as bases da educação que temos e em que bases queremos construir outro tipo de educação. “Em outras palavras, pensar currículo implica em conhecer filosofia de educação, as tendências pedagógicas e como elas se manifestam na prática educativa".
Julio Zabatiero,  semelhantemente,  endossa o coro e escrevendo sobre a busca de uma pedagogia de educação ele comenta: "O educador cristão precisa de uma boa pedagogia como instrumental teórico de seu ministério. A análise das atividades educacionais na igreja, em geral, demonstra que utilizamos uma pedagogia antiquada, incapaz de atingir os objetivos da educação cristã, basicamente uma cópia do tradicional modelo pedagógico escolar brasileiro que privilegia o intelecto e o teórico em detrimento do existencial e do concreto. É, ainda, uma pedagogia individualista e alienante, pois não capacita o aluno a viver comunitariamente nem a entender plenamente sua realidade para poder transformá-la. Nessa pedagogia, ensino e aprendizado são instâncias em separado – como se só o professor ensinasse e só o aluno aprendesse. A fim de superarmos essa tendência, é necessária uma nova concepção pedagógica". 
Zabatiero apresenta as ideias de Paulo Freire como propostas para renovação de nossa prática educacional.
Assim, a filosofia é eminentemente influente para a nossa tarefa educativa, mas a maior parte permanece despercebida ou não reconhecida. Quanto mais nós, como educadores estejamos conscientes de nossa filosofia de educação, melhor equipados estaremos para projetar, desenvolver uma educação sólida de acordo com uma filosofia que seja coerente com a fé cristã.


segunda-feira, agosto 31, 2015

O HOMEM E A FONTE

Certo homem, andando pela floresta, deparou-se com um urso. Assustado pôs-se a correr e acabou caindo num desfiladeiro. Durante a queda agarrou-se em umas raízes, as quais detiveram sua queda livre.
Pendurado ali, seguro pelas raízes, ele percebe que não está numa altura considerável, com um salto, ele conseguiria pisar em solo firme. Neste raciocínio ele vê que suas expectativas são frustradas, pois ali, bem abaixo, aparecem três leões rugindo e pulando em sua direção tentando devorá-lo. Vendo a situação em que se encontrava. “Um urso feroz acima da sua cabeça e três leões, rosnando aos seus pés. Observando que não havia saída para se desvencilhar daquela situação de morte eminente, o desespero o tranca em seu castelo e aquele homem, caiu em grande aflição”.
Seus braços começam a doer, suas mãos começam se ferir, o pavor invadiu sua alma, a dúvida, angustia e tudo mais de pessimismo, levaram aquele homem a um grande conflito. “Não tem saída para nenhum lado, vou morrer”.
De repente, olhou para o lado e vê uma fonte jorrando água límpida dentre aquelas raízes, nesse momento percebeu que estava com sede. Pensou que o desespero naquela situação que se encontrava, não seria solução para seu problema. Então resolveu estender uma das mãos, para tomar daquela água, que estava ao seu alcance.
Ao tomar daquela água, ele sentiu suas forças revigoradas. Seu raciocínio tornou-se mais claro e pode desenvolver a paciência e abandonar o desespero.
Agora tranquilo e revigorado, sabia que logo o urso ia se cansar e iria embora, dessa maneira ele poderia escalar o desfiladeiro escapando dos leões. Não demorou muito o urso foi-se embora e ele pode subir e sair em segurança daquele desfiladeiro.
Moral da História
Quantos momentos em nossas vidas nos deparamos com ursos e leões rugindo ao nosso de redor. Quantos momentos, estamos pendurados em desfiladeiros, acreditando que o fim chegou e que não vamos conseguir sair, acreditando que não há saídas para nossas vidas.
Quantas vezes, nossa alma sedenta busca refrigério em concupiscências, que apenas irão aumentar o bramido do urso e dos leões.
Mas mesmo no desfiladeiro, jorra uma fonte de água límpida e refrescante.
Esta Fonte é Jesus, Fonte de vida e satisfação, que só podemos encontrar nele.
No desfiladeiro da alma cheia de paixões carnais, ignorante, decadente e sem Deus, chega Jesus para saciar a sede das nossas almas e restaurar nossas vidas. Essa Fonte de vida está aberta para eliminar a sede daqueles que se chega a Deus. Ao bebermos dessa Fonte, os leões e o urso, não terão forças para nos levar a morte.

Maria Célia Alves Forte. (Aluna do Curso Médio em Teologia).

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