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quinta-feira, janeiro 08, 2015

A MORTIFICAÇÃO DO “EU”

 Ego é compreendido como o centro da consciência, sendo a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. É a parte mais superficial do indivíduo, a qual, modificada e tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo.
  • Na perspectiva cristã o “Ego” é visto sob o ponto de vista da queda, onde o ser humano, que dantes possuía todas as suas dimensões “corpo - alma – espírito” em perfeita harmonia com a vontade de Deus, passa a conviver com a desarmonia de sua constituição pós-queda, tendo como princípio ativo em seu “EU” a natureza do pecado que o inclina para busca de sua própria satisfação pessoal em detrimento da vontade de Deus.
Assim a questão passa a ser analisada tendo em vista a natureza pecaminosa que o ser humano herdou na queda, afetando toda sua existência.

 - Definição de mortificação
No Grego o termo para mortificação é “thanatóo”, mortificar, fazer morrer.
Aparecendo por onze vezes no Novo Testamento (Mt. 10.21; 26.59; 27.1; Mc. 13.12; 14.55; Lc. 21.16; Rm. 7.4; 8.13; 8.36 citando o Salmo 44.23; II Co. 6.9; I Pd. 3.18).
Um dos textos mais destacados a esse respeito está em Romanos 8.13; “se viverdes segundo a carne, caminhais para morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis”.
 Outro verbo grego, sinônimo, é “nekróo”, necrosar, matar (Rm. 4.19; Col. 3.5; Hb. 11.12).
Em (Col. 3.5), diz: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena; prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, e a avareza, que é idolatria...” o verbo aoristo imperativo traduz a idéia de “matar de uma vez por todas”.
  • O crente encontra-se crucificado com Cristo; isto significa que Cristo forma uma unidade tal com aqueles para os quais Ele morreu que só pode-se dizer que “eles” estão “nele” (II Cor. 5.17), e que, por isso, o que aconteceu “em Cristo” é aplicável a eles.[1
  • A frutificação cristã e a ausência de mortificação são incompatíveis entre si.
  • É possível renunciar muitas coisas em favor do Senhor, sem, contudo obedecer-lhe, negando a si mesmo (Mt. 16.24). Pedro deixou bens (Mt. 19.27), mas continuou com o egoísmo (Mt. 26.33 – 75).
Despir-se do “velho homem” e “revestir-se do novo” (Cl. 3.9,10; Ef. 4.24), acima de tudo tem o seu clímax no batismo nas águas, como despedida do velho modo de existência e o tornar-se incorporado ao novo modo de ser na Igreja “Corpo de Cristo”, que Ele criou em si mesmo, propiciando assim “um novo Homem” (Ef. 2.15).
Com esse “velho e novo homem”, portanto, o ponto de vista corporativo assume o primeiro plano. (Por esse motivo, o crente, além de ser chamada de “novo homem”, pode ser referido como aquele que alcançou à “perfeita varonilidade” (gr. aner teleios; Ef. 4.13) e como um em Cristo Jesus), (Gl. 3.28).
  • Esta idéia é extremamente essencial e importante que, sem dúvida, está ligada ao fato de o próprio Cristo como “segundo Adão” ser colocado em contraste com o “primeiro Adão”. (I Co. 15.21 ss).
 ENSINO
  • Todo crente regenerado tem por objetivo servir ao Senhor, intenção esta que emerge no fato de ter se tornado participante da natureza divina (II Pedro 1:4), porém  surge logo o problema do “ego” e sua natureza pecaminosa, que se inclina para o mal. A oposição contra o Espírito Santo e a vontade de Deus está no crente (Rm. 7.15; Gl. 5). O homem tem muitas maneiras pelas quais tenta vencer o ego, mas em vão. “O ego jamais expulsará o ego”.
Há muitas tentativas para mortificar o “EU” que, de alguma forma podem até ser positivo, entretanto, o princípio básico da Fé é confiar e identificar-se com a cruz de Cristo.

  • Alguns meios de mortificação estão relacionados abaixo, todavia fica a compreensão que eles por si só não resolvem em nada.
  1. A abstinência – negar-se a certas coisas por determinado tempo. Alguns se isolam da sociedade, jejuam, sofrem, mas em vão. O ego só se sujeita à morte na cruz.
  2. Atividades – mais reuniões, mais oração, mais estudos bíblicos, mas também em vão.
  3. Educação – boa família, cultura cristã, escola e igreja, em vão.
  4. Novos alvos – reuniões especiais, pregador especial, novos propósitos, confissão, regressão espiritual. A esperança é de mudar, mas raramente acontece e por pouco tempo, depois volta tudo ao que era antes.
  5. Experiências sobrenaturais – Poder, Dente de ouro, línguas, sopro, visão. O “ego” se incha, mas não do poder de Deus.
Solução:
    • Cristo resolveu o problema do ego (Rm. 6.6). A carne, o velho homem só cede na Cruz (Gl. 2.20). A vitória não vem matando o ego, sufocando-o, mas aceitando seu lugar de união com Cristo na cruz.
Tudo aconteceu na cruz, à ação é crer, considerar-se morto (Rm. 6.11), conforme exercitamos fé neste fato (histórico-espiritual) começamos a receber os benefícios. Não é uma atitude de fé única, mas diária.

Obs.: Não se trata de pensamento positivo, mas entendimento do fato e aceitação pela fé que o próprio Espírito Santo nos dá (Cl. 3.1-11).



[1] RIDDERBOS, Herman. A teologia do Apóstolo Paulo – São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2004 – p. 60.
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