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segunda-feira, maio 04, 2015

A RESISTÊNCIA A IMPLANTAÇÃO DE SEMINÁRIOS TEOLÓGICOS

Essa foi uma das piores crises ocorrida na Assembleia de Deus quanto à implantação de Seminários Teológicos. Após 12 anos da sua fundação começou a luta pela implantação dos Seminários.
O pastor Gunnar Vingren silenciou-se, e o pastor Paulo Leivas Macalão se opôs contrário à implantação dos mesmos. “Não foi fácil mudar a mentalidade das Assembleias de Deus quanto ao preparo formal de seus pastores e líderes”. Foi realizada uma reunião com a “Assembleia de Deus em São Cristovão, no Rio de Janeiro, em maio de 1943, com a presença de 93 obreiros”.
 “O missionário Lawrence Olson propôs a abertura de institutos bíblicos e, escolas teológicas e seminários pelo país”.  O projeto de Olson foi contestado pelo pastor Paulo Leivas Macalão da Assembleia de Deus em Madureira, Macalão afirmava que seria “perigoso investir na educação teológica do obreiro”. “Segundo ele, a muita sabedoria, o muito estudo e o intelectualismo poderiam esfriar espiritualmente a alma”. (CÉSAR, 2011, p. 25).
Depois de cinco anos, houve uma Convenção Geral em 1948, que se realizou em Natal, RN, e o assunto voltou a ser comentado em plenário e foi também contestado por alguns obreiros.
 Os opositores ferrenhos, para Francisco Pereira, “um instituto bíblico é uma fabrica de pregadores, sendo que, segundo Efésios 4: 11, o ministério é dado pelo Senhor”. Outro pastor que se opôs foi Eugênio Pires que argumentou: “Temos uma escola, a de Jesus, que não pode e nem deve ser orientada por determinada pessoa”. Outro missionário que também se opôs ao projeto foi “Gustavo Nordlund que aproveitou a ocasião para afirmar que não sentia falta de um seminário por causa do “colégio de Jesus”, onde começou e ainda permanecia”. O tempo ia passando e tudo continuava do mesmo jeito e persistia a rejeição os seminários.  “Passados18 anos, na Convenção Geral de 1966, realizada em Santo André, SP, o pastor João Pereira de Andrade e Silva declarou que o melhor educandário é o colégio do Espírito Santo”. Também com a mesma mentalidade contrária aos seminários foi o “pastor Anselmo Silvestre, de Belo Horizonte, reafirmou que em um seminário os candidatos correm o risco de ficarem com a cabeça cheia e o coração vazio”. O último a falar foi o pastor Antônio Petronilo dos Santos: “Os institutos bíblicos desejam realizar um trabalho psicológico nas Assembleias de Deus no Brasil”. Petronilo afirmou ainda que eles seriam desnecessários, pois “nestes 55 anos, as Assembleias de Deus no Brasil cresceram imensamente sem o concurso dos institutos bíblicos”. (CÉSAR, 2011, p. 25).
Mas, por iniciativa do “missionário sueco Gustavo Bergström, naturalizado americano que na Convenção Geral de 1937, pediu a criação de uma escola bíblica anual, com duração de pelo menos dois meses, para todos os obreiros e aspirantes ao ministério”. Isso só “aconteceu oito anos mais tarde, (1945) em Belém do Pará, com 101 alunos. Essas escolas foram os primeiros seminários teológicos pentecostais informais com cursos de curta duração”. (CÉSAR, 2011, p. 25).
A honra da fundação do primeiro Seminário não foi concretizada pelos líderes das Assembleias de Deus. “Já Bittencourt fala da educação teológica, pelo fato de o primeiro seminário teológico ter sido fundado, em 1958, por um pastor que chegara dos EUA”. [...]. O nome desse seminário teológico era o “IBAD – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, fundado em 1958 pelo pastor João Kolenda Lemos, brasileiro, descendente de alemães. Sua esposa, Ruth Doris Lemos, [...] pastora assembleiana, é norte-americana”. “Hoje são considerados como heróis, mas naquela época foram tratados como “desviados, rebeldes” e não foram excluídos da Assembleia de Deus porque, embora no Brasil, permaneceram filiados à Assembleia de Deus nos EUA”. (ALENCAR, 2010, p. 92).
Talvez poucos saibam sobre a questão de a Igreja recomendar que os aspirantes ao ofício de Obreiro tenham curso Teológico, essa afirmação segundo comentário de César (2011, p. 26), ao dizer que: “a partir de 1983, recomendava-se oficialmente que os candidatos ao “santo ministério”, [...] fossem “qualificados teologicamente para o manejo da Palavra”. [...] O pastor Walter Brunelli, [...] já havia advertido à Convenção de 1981” sobre a falta de conhecimentos teológicos dos membros assembleianos ao dizer que:

Sofremos hoje problemas de infraestrutura, por não ter havido no passado uma preocupação com a educação teológica. A ênfase demasiada na obra do Espírito Santo talvez tenha originado o conceito de que era desnecessária qualquer preocupação nesse sentido. Creio que caímos num tipo de pietismo que levou as pessoas a dizerem coisas exageradas e a quererem que o Espírito Santo as endossassem. Deveria haver equilíbrio, e com um conhecimento mais apropriado da Palavra de Deus poderia levar os obreiros a esse estado de equilíbrio. (CÉSAR, 2011, p. 26). (Grifo meu).

                                            Prof. Me. Expedito Darcy da Silva (Dissertação de Mestrado)

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